O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
|
Foto-reportagem

Retratos em tom de cinza. Eles viram o inferno em Pedrógão

Foto-reportagem

Retratos em tom de cinza. Eles viram o inferno em Pedrógão

19 jun, 2017 - 23:11 • Joana Bourgard

O ar puro tornou-se quase irrespirável. Está agora carregado de cinzas das chamas que consumiram milhares de hectares de floresta e levaram dezenas de vidas.
A+ / A-

Ao longo da fatídica estrada nacional 236, onde o devastador incêndio de Pedrógão Grande encurralou dezenas de pessoas, o cenário é cor de chumbo e mais parece uma zona de guerra.

Na aldeia de Souto Fundeiro, entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, distrito de Leiria, os efeitos do fogo são bem visíveis.

Há casas destruídas, carros carbonizados e a entrada da aldeia estava esta segunda-feira cortada por uma árvore e um telhado de zinco que caíram sobre o caminho.

Os moradores descrevem um cenário terrível e contam que ainda ninguém apareceu a oferecer ajuda para recuperar o que se perdeu.

“Foi tão repentino que só tive tempo de agarrar no meu carro, na esposa e fugir. Só via lume de volta da minha casa. Era um inferno que estava ali montado”, conta Luís Graça, que andou três quilómetros debaixo de fogo pela estrada até Castanheira de Pêra.

Prosseguindo a viagem pela estrada nacional 236, o verde deu lugar a uma paisagem marcada por grandes áreas ardidas e destruição.

O incêndio que começou no sábado não dá tréguas. O combate continua por terra e ar.

Noutra localidade, em Sarzeda de São Pedro, o fogo também deixou marcas profundas. Luís Abreu tentou fugir, com a mulher e a filha, mas acabou por ficar três horas encurralado no IC8 à espera de alguém que os fosse buscar. Acabaram por entrar num carro de um popular e conseguiram escapar. A casa do sogro de Luís, na mesma aldeia, foi assaltada depois de ter ficado danificada pelas chamas. Os assaltantes levaram ouro.

Outra família de Sarzeda de São Pedro não teve tanta sorte. Quatro pessoas morreram quando tentavam fugir da aldeia. O carro ainda está à beira da estrada.

O incêndio de Pedrógão Grande matou 64 pessoas e fez mais de 130 feridos, de acordo com o balanço realizado esta segunda-feira ao início da noite. As chamas deflagraram no sábado e, alimentadas por condições meteorológicas extremas, consumiram quase 26 mil hectares de floresta. A hora é de chorar os mortos e ajudar os que sobreviveram a continuar. Em Figueiró dos Vinhos, os bombeiros recolhem alimentos para distribur pela população afectada.

A Renascença também se cruzou com Francisca Correia, que está a ajudar como pode as outras vítimas do fogo. Esta residente em Castanheira de Pêra anda a resgatar cães pelas aldeias. Muitas pessoas não conseguiram levar os animais consigo e vários cães desorientados andam pelas estadas nacionais, aldeias e vilas. Francisca quer levá-los para um canil provisório.

Mais a sul, em Nodeirinho, a Renascença encontrou outra "aldeia negra" de Pedrógão Grande. 11 pessoas desta localidade perderam a vida no violento incêndio que lavra desde sábado.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • 21 jun, 2017 00:30
    Incompreensível e inaceitável, ver casas a arder reduzidas a escombros em pouco tempo, ao lado de casas modernas, sem materiais inflamáveis, que resistem bem aos incêndios. Porque razão as autoridades municipais ao invés criarem mil e uma burocracias muito dispendiosas, que praticamente impedem que uma casa mais antiga, com muita madeira possa ser restaurada usando novos materiais mais modernos (como o cimento), não são elas próprias, e tb o governo, os primeiros a incentivar o uso, por exemplo, de vigas de cimento, em vez dos tradicionais barrotes de madeira, bem como placas de tecto, em vez do tradicionais forros de madeira, que são pasto fácil para as chamas, sobretudo em casas situadas em zonas de risco de incêndio. Acho que era de muito bom senso que se deixasse de lado tantas burocracias e alguns interesses obscuros e se passasse a colaborar mais com as populações para que pudessem ter, sem custos acrescidos, casas mais seguras e resistentes aos fogos e outras intempéries.
  • alnerto pereira
    20 jun, 2017 souto fundeiro castanheira de pera 22:09
    Nao entendo porque dizem que e pedrogao?????isto e no souto fundeiro castanheira de pera
  • Fernando
    20 jun, 2017 Penafiel 11:17
    Na origem de toda a situação está a desertificação de todo o interior do país.
  • as
    20 jun, 2017 as 01:09
    O PM PR e ministra da adm interna deviam ter vergonha e respeito... que se demitam