|
A+ / A-

Enfermeiros obstétricos temem que Governo desvalorize protesto

10 jul, 2017 - 08:56

Dizem-se “reféns da carreira” e alvo de “injustiças”. São estes enfermeiros que participam nas consultas de vigilância da gravidez e no internamento de grávidas de alto risco, por exemplo. Estão em protesto desde o início do mês.

A+ / A-

Os enfermeiros especialistas, que desde o início do mês não prestam cuidados diferenciados de obstetrícia em protesto pelo não pagamento desta especialização, temem que a gravidade da situação nalguns hospitais esteja a ser desvalorizada pelo Ministério da Saúde.

Numa nota enviada à agência Lusa, estes profissionais denunciam a transferência de algumas consultas para o privado com custos assegurados pelo Estado e a existência de enfermeiros de cuidados gerais (não especializados) em sectores que não podem prestar assistência obstétrica global – como na triagem de urgência obstétrica, nas consultas de vigilância da gravidez, no internamento de grávidas de alto risco e nos blocos de parto.

"A carreira especial de enfermagem é classificada com o grau de complexidade funcional 3, sendo exigida a titularidade de licenciatura, exigência essa que não foi nunca traduzida na respectiva valorização salarial, mantendo-se os níveis remuneratórios de bacharéis", afirmam estes profissionais, justificando o protesto.

"Agravam-se ainda todas as injustiças quando, na actualidade, temos um elevado número de enfermeiros com o título de enfermeiro especialista atribuído pela Ordem dos Enfermeiros, que permanecem há 10 anos no SNS a serem remunerados como enfermeiros generalistas e a prestar cuidados de enfermagem especializados", acrescentam.

A Comissão Negociadora Sindical dos Enfermeiros deu até 11 de Julho para o Governo apresentar uma proposta para resolver a diferença de salários dos enfermeiros especialistas, considerando intolerável que o ministro não tenha entregado uma proposta integral na reunião mais recente com os sindicatos, que decorreu na passada terça-feira (dia 4).

No sábado, o ministro da Saúde disse à agência Lusa que o Governo reage em relação a essa matéria como em relação a outras: governa para 10 milhões de portugueses e "compreende e regista aquilo que são as revindicações sectoriais que sejam legítimas".

E, acrescentou: "faz aquilo que lhe compete fazer à luz do enquadramento constitucional, que é processos de negociação e de diálogo com os sindicatos, o que está a decorrer neste momento, normalmente, e vai continuar a decorrer".

Os Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO) defendem que são insubstituíveis, dado que as suas competências "não podem ser exercidas por nenhum outro profissional".

E recordam que a formação especializada em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica "é um acto voluntário de cada enfermeiro, que se responsabiliza pela sua frequência e pagamento".

"É uma formação muito dispendiosa e conseguida sem qualquer apoio do Estado, apesar da necessidade e carência que o SNS apresenta nesta 'workforce'", sublinham ainda.

Consideram, por isso, injusto que nada seja feito por parte da tutela, "apesar do descontentamento assumido e das inúmeras tentativas de resolução por via do diálogo, nas várias legislaturas".

O protesto destes enfermeiros já levou ao encerramento de vários serviços, incluindo cursos de preparação para o nascimento e recuperação pós-parto, no apoio à amamentação, nas consultas de enfermagem obstétrica e avaliação do bem-estar materno-infantil e nas vagas de internamento de alto risco obstétrico.

"Não se trata de uma greve, mas sim do cumprimento das funções contractuais", insistem.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Outra coisa
    10 jul, 2017 lx 10:15
    Não merecem!...Infantilidades, irresponsabilidades e inoportunidades são intoleráveis!