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Passos e Costa na rádio: cinco razões para um debate arriscado

16 set, 2015 - 15:19 • Pedro Leal

É quinta-feira, às 10h00. Em directo na Renascença, TSF e Antena 1, Pedro Passos Coelho e António Costa vão tentar convencer um mar de indecisos. Na rádio, os velhos truques não vão resultar.
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Parece um contra-senso: um debate na rádio entre Passos Coelho e António Costa num tempo em que a imagem é rainha do espaço mediático. Parece, mas não é.

Para além dos temas, o debate na rádio (em simultâneo na Renascença, TSF e Antena 1, às 10h00 de quinta-feira) vai ser mais próximo e envolvente, logo mais decisivo. E vai ser também um debate arriscado para Passos e Costa. E são cinco as razões que contribuem para isso.

A distracção

Os velhos truques não vão resultar. A cor da gravata, azul ou vermelha, é indiferente. O dedo em riste ou a cabeça a abanar, dizendo “não” ou “sim”, não resulta. Os olhos mais ou menos de espanto perante as afirmações do adversário, não comunicam. O monte de folhas em cima da mesa para se mostrar que se estudou tudo, não existe.

Por fim, o truque do gráfico, que cada candidato, mais minuto menos minuto, gosta de mostrar para a câmara, não vai surgir. O teatro da campanha resulta com mais dificuldade na rádio.

O discurso

Sem artifícios, a comunicação tem de se concentrar na palavra, no seu domínio e na capacidade de chegar ao ouvinte. Não comunicar apenas com os entrevistadores, não se perder em monólogos, mas falar para a audiência.

A atenção concentra-se apenas na palavra – a mensagem não pode surgir confusa. A clareza é essencial para ganhar o debate: o determinante não é o tempo de uso da palavra, mas a qualidade com que se usa esse tempo. O que se diz e a forma como se diz ganha outro valor.

Velocidade

A televisão exige atenção exclusiva, a rádio não. Para ser perceptível, sem expressões, sem linguagem gestual, sem movimentos de câmara, Passos e Costa têm de dominar a velocidade do discurso e a forma como desenvolvem as ideias. Se assim não for, os dois perdem a oportunidade - a audiência não capta a mensagem.

A rádio é um meio de grande liberdade e o único que permite a “ubiquidade” à audiência, ou seja, é o único meio que permite que a audiência, enquanto ouve a rádio, possa estar a fazer outra coisa qualquer: conduzir, trabalhar, estudar, cozinhar... Não exige atenção exclusiva para ser escutada. Na estratégia para captar a atenção, a velocidade do discurso é determinante para a perceptibilidade da mensagem.

Atropelos

Na TV, falar por cima do adversário pode ser confuso, mas pode ser também uma oportunidade para se projectar uma imagem de domínio. Na rádio, o atropelo do adversário resulta, na maioria das vezes, em cacofonia e, ao contrário da TV, prejudica essencialmente o seu autor, que passa quase sempre por impertinente, mal-educado.

A capacidade de intervenção e a forma como cada candidato vai fazer uso da palavra podem ser vantagem para quem melhor o souber gerir. O debate fica mais revelador sobre cada candidato.

Voz

Na rádio, no final, tudo se resume à voz. Nada mais. E ela pode ser traiçoeira. Revela o que, por vezes, não queremos deixar ver: nervosismo, insegurança, pequenas e grandes mentiras… Sem distracções, tudo fica mais claro, mais concentrado na palavra que a voz traz, mas também mais perigoso. Na rádio, Passos Coelho e António Costa vão ficar mais expostos.

No final, o debate vai ser ganho por quem conseguir envolver a audiência e quem perceber que não vai estar a falar de frente para a audiência, mas junto aos ouvidos. Este deverá ser o segredo: criar identificação e envolvência com cada um dos ouvintes, mesmo os que são de cor partidária diferente.

É verdade que o debate vai ser transmitido em vídeo, nos sites de cada uma das rádios, e, à noite, no cabo, algumas estações também o vão passar. Mas a primeira impressão já terá passado. O que vier a seguir vai confirmar algumas das ideias já formadas.

No debate das rádios, vai ganhar o que perceber melhor as características do meio e for mais efectivo na gestão do discurso, da palavra e da voz. O risco é grande: neste último debate, os dois vão estar a falar para um mar de indecisos.


A Renascença transmite, em simultâneo com a TSF e a Antena 1, o debate entre Pedro Passos Coelho e António Costa. Para ouvir esta quinta-feira, às 10h00, na antena da Renascença, e seguir em directo (com vídeo, som e texto) em rr.sapo.pt

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