O investigador Rui Martins biografou 75 fadistas do século XXI, entre "monstros sagrados", a "nova geração" e a "intemporal Amália", num livro com fotografias inéditas de João Vasco, que é apresentado na terça-feira.
"De A de Aldina Duarte a V de Vicente da Câmara, o livro junta alguns monstros sagrados que prosseguiram as suas carreiras no século XXI, como Maria da Fé, Argentina Santos, Anita Guerreiro, Beatriz da Conceição ou Carlos do Carmo, aos da 'nova geração'", disse à agência Lusa Rui Martins.
O livro intitula-se "Fadistas no séc. XXI - O fado revisitado em biografias várias", conta com um prefácio de Sara Pereira, directora do Museu do Fado, espaço onde a obra é apresentada terça-feira, às 19h00, numa sessão que termina com fados e guitarradas, com a participação do autor, de Liana e Vanessa Silva, acompanhados por Manuel Gomes, na guitarra portuguesa, e Fernando Gomes, na viola.
Na "nova geração", segundo Rui Martins, sobressai Mariza, "porque faz a transição do século XX para o XXI, pelo carisma e o perpetuar da internacionalização do fado, pela pujança". "Mariza é uma marca e a sucessora de Amália, ela interpreta tudo que é música de gospel ao fado", concluiu, sobre a cantora.
Deste grupo, o autor destacou ainda Dulce Pontes, Liana e Gonçalo Salgueiro.
"A biografia de Dulce Pontes subintitulei-a 'Entre Barbra Streisand e Amália'; quanto à Liana, que aparece com maior relevo nos musicais de Filipe La Féria, tem uma voz cálida e inocente; e o Gonçalo Salgueiro chega a roçar o belo no fado pela originalidade", justificou.
Sobre Amália, falecida em 1999, a quem dedica dois capítulos, o autor afirmou que "é intemporal, ao seu repertório todos os novos [fadistas] vão beber e não começam carreira sem cantar dois ou três temas" criados ou popularizados pela fadista.
"Amália Rodrigues é a grande diva, quem abriu as portas para o fado ser classificado como património da humanidade", acrescentou Rui Martins.
Referindo-se ao livro, o autor afirmou: "É uma obra importante porque é uma espécie de dicionário, ao referenciar todos os fadistas em actividade neste século, tratados com uma maior profundidade e com a discografia actualizada, incluindo entrevistas e fotos inéditas". As entrevistas são a Gonçalo Salgueiro, Cristina Branco, Liana e Mariza.
No grupo de fadistas escolhido, o autor decidiu integrar, sem biografias, um conjunto de instrumentistas e fadistas amadores.
Rui Martins adiantou que o "fado amador" será o próximo objecto da sua investigação, às quais acrescenta duas biografias.
"Por sugestão de Sara Pereira, há ainda as biografias dos guitarristas José Fontes Rocha e Raul Nery, falecidos este ano, [o que] é, aliás, uma questão justíssima, pois até hoje são o supra sumo desta arte" de tocar.
O investigador, que anteriormente escreveu "Amália, a voz dos poetas e de Portugal", integrou neste novo livro "um ensaio de interpretação literária" do fado "Rosa Enjeitada", criado por Hermínia Silva, que Maria Teresa de Noronha também gravou, e ainda "una reflexão sobre o fado de ontem e o de hoje", disse.
"Fadistas no séc. XXI - O fado revisitado em biografias várias" é editado pela Chiado, tem cerca de 300 páginas e levou ano e meio a fazer.