"Tudo o que puder correr mal, vai correr mal". A enunciação simples da Lei de Murphy explica, em suma, o que se passou em Londres.
O Benfica está fora da Liga dos Campeões depois de perder com o Chelsea (2-1), esta quarta-feira, falhando o apuramento para as meias-finais numa das semanas mais complicadas e conturbadas que Jorge Jesus enfrentou como treinador do Benfica.
Sem centrais de raiz, o técnico encarnado improvisou, descortinou uma dupla de centrais improvável e ainda lidou com a dificuldade acrescida de uma equipa de arbitragem marcada indelevelmente pelo erro.
22 anos depois da última presença numa meia-final da Champions (então Taça dos Campeões Europeus), o Benfica terá que esperar por nova oportunidade.
(Quase) tudo correu mal
Ninguém acreditaria que o Benfica entrasse em campo a comandar a iniciativa de jogo perante o difícil contexto que Jorge Jesus encarou na hora de escalar o onze inicial.
Sem centrais de raiz, a dupla do eixo foi, para usar as palavras do próprio treinador, "inventada".
Emerson e Javi García viram à distância os primeiros remates do encontro à baliza contrária, mas chumbaram praticamente no primeiro teste à consistência e concentração.
Ashley Cole entrou a toda a velocidade na grande-área encarnada, sendo "placado" pelo espanhol, habituado a este tipo de abordagens como "trinco" e bem mais adiantado no terreno.
Grande penalidade assinalada por Damir Skomina e convertida por Lampard, abrindo o activo aos 21'.
Retenhamos o nome do árbitro. O esloveno assumiu, igualmente, o protagonismo que os juízes detestam atrair.
A dualidade de critérios de Skomina na amostragem de amarelos penalizou claramente o Benfica. O mesmo tipo de faltas, com a consequente admoestação disciplinar, não foi em nada sancionada do outro lado do campo.
Num desses lapsos de memória da equipa de arbitragem, Maxi Pereira viu o segundo amarelo e recolheu mais cedo aos balneários.
Atitude ficou intacta
O remate de Cardozo defendido com mestria por Cech, no arranque da 2ª metade, transmitiu a evidência de que o Benfica ainda não tinha baixado os braços.
Em contra-ataque, os homens de Roberto Di Matteo criavam muito perigo, é certo, aproveitando a superioridade numérica e o desposicionamento de um Benfica com as linhas bem subidas em busca do empate que pudesse permitir sonhar com o golo final do apuramento.
Perante o "catenaccio" da equipa mais italiana de Inglaterra, Jesus respondia com instruções claras à sua equipa: posse de bola, rápidas transições e uma dupla alteração que ajudou a dar mais frescura a uma equipa que demonstrava já estar fisicamente debilitada.
Nélson Oliveira e Yannick Djaló deram a capacidade de explosão que o Benfica precisava e, à semelhança do "Takuara", colocou Cech à prova.
Após um cabeceamento de Djaló que Cech desviou para canto, surgiu o golo da esperança. Da cabeça de Javi García, na sequência de um canto de Aimar, saiu uma bola que alimentou o sonho.
Isto até ao minuto 92', quando Meireles teve espaço, num contra-ataque, e chutou. Chutou mesmo. Um golaço a sentenciar a eliminatória com um 3-1 no conjunto da eliminatória.
Ficha de Jogo
Liga dos Campeões: 2ª mão dos quartos-de-final
Stamford Bridge, Londres
Árbitro: Damir Skomina (Eslovénia)
Chelsea
Petr Cech; Branislav Ivanovic, David Luiz, John Terry (59') e Ashley Cole; John Obi Mikel, Ramires e Frank Lampard; Juan Mata (79'), Fernando Torres (88') e Salomon Kalou.
Suplentes: Turnbull, Paulo Ferreira, Gary Cahill (59'), Michael Essien, Raúl Meireles (79'), Didier Drogba (88') e Daniel Sturridge.
Treinador: Roberto Di Matteo.
Benfica
Artur Moraes; Maxi Pereira, Emerson, Javi García e Joan Capdevila; Nemanja Matic e Axel Witsel; Bruno César (72'), Pablo Aimar e Nico Gaitán (62'); Óscar Cardozo (57').
Suplentes: Eduardo, Nolito, Yannick Djaló (62'), André Almeida, Nélson Oliveira (57'), Rodrigo (72') e Javier Saviola.
Treinador: Jorge Jesus.
Golos: Frank Lampard (g.p., 21'), Javi García (85'), Raúl Meireles (92').