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Vicente Moura

"É melhor esquecer as medalhas"

28 mai, 2012 • Rui Viegas

Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) baixa as expectativas. Vicente de Moura admite, em entrevista à Renascença, uma participação nos Jogos de Londres sem conquista de medalhas.
"É melhor esquecer as medalhas"
"É melhor esquecer as medalhas"
Vicente Moura fala de ingerência da ex-tutela no Comité Olímpico e, como sportinguista, ‘aponta o dedo’ a quem “mancha” o clube.
Vicente Moura mostra-se muito cauteloso em vésperas dos Jogos Olímpicos de Londres. Em entrevista a Bola Branca, o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) admite mesmo que Portugal pode sair da capital inglesa sem qualquer "medalha ao peito".

"Não será fácil um ou dois lugares de pódio e há que admitir uma participação sem medalhas. Tenho um optimismo moderado", refere Vicente Moura, que prefere não definir qualquer objectivo, tendo em conta as expectativas falhadas em Pequim.

O presidente do COP deixa, neste ângulo, um aviso: "A não haver uma mudança radical no desporto português, no futuro as nossas medalhas vão ser as qualificações. É melhor se calhar esquecer as medalhas. Temos vindo a avançar menos do que outros países."

"Poder político tentou interferir no COP"
Nesta entrevista de fundo, Vicente Moura faz também graves acusações à antiga tutela, em particular ao ex-secretário de Estado do Desporto e Juventude, Laurentino Dias.

"O grande problema do Governo anterior era querer saber quem eram os juízes do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD)", diz, a propósito da demora verificada no avanço daquele organismo. "Tem que ver com o caso Queiroz, no qual o Governo nunca se devia ter envolvido. Foi mau para todos", refere o líder do Comité Olímpico luso.

"O poder político tentou interferir no COP e nas decisões. Foi uma batalha que tive que travar. [Laurentino Dias] fez reuniões com federações para procurar uma alternativa a mim. Ingerência? Sim, houve ingerência... Convidou pessoas daqui para o TAD. Tudo isso foi mau", afirma Vicente Moura, de forma contudente.

Por fim, e a menos de um ano de abandonar o Comité (em Março de 2013), Vicente Moura deixa perceber quem gostaria de ver no seu lugar. "Para tudo, na vida, quem é da área é que deve assumir responsabilidades. Um ex-atleta como presidente do COP? Sim", defende Vicente Moura.