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Opinião de José Luís Nunes Martins
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​O que procuras?

01 dez, 2017 • Opinião de José Luís Nunes Martins


Não deixes que a morte te encontre a sonhar com o mesmo que sonhavas na juventude. Esquecido de que o tempo passou e nada fizeste para concretizar aquilo de que eras capaz. Cheio de desculpas para as tuas preguiças e orgulhos.

A nossa existência é muito mais do que o tempo entre o início e o fim da vida. A profundidade é essencial. Como se chega lá? Através da escuta atenta de si mesmo. A maior parte das pessoas como não ouve, não sabe falar e não aprende. E se não aprende, não sabe perguntar, tão-pouco responder.


Escutar alguém é conhecê-lo. Escutarmo-nos a nós mesmos é revelarmo-nos à pessoa que mais importa que nos conheça e ajude. Claro, a razão terá de filtrar depois o que entrou pelo ouvido.

O que procuras?

Há diálogos aparentes que, na verdade, não são mais do que monólogos intercalados.
Os que estão silenciosos, por vezes, não estão a ouvir, apenas à espera da sua vez de falar.

A verdadeira escuta é uma reflexão profunda. Primeiro saímos de nós mesmos e dirigimo-nos ao outro, recolhemos então, com todos os sentidos, impressões, factos e dados.

Importa escutar as vozes originais, as que trazem opiniões distintas e aquelas que têm silêncios diferentes dos nossos.

Há um perigo comum que importa manter à distância: ficar surdo às palavras de tanto barulho por opiniões em excesso que se escutam à nossa volta.

O que procuras?

Escuta-te. Dialoga contigo mesmo. Aceita-te e sorri ao teu coração.

Com confiança, revela a ti próprio o que, no fundo de ti, és de mais elevado.

Não deixes que a morte te encontre a sonhar com o mesmo que sonhavas na juventude. Esquecido de que o tempo passou e nada fizeste para concretizar aquilo de que eras capaz. Cheio de desculpas para as tuas preguiças e orgulhos.

O que queres ouvir de ti mesmo quando os teus dias estiverem perto do fim?

Nessa altura, face à aparente inutilidade do que já não somos capazes... fica apenas o nosso valor enquanto pessoas. E a nossa voz interior, a de sempre, que um dia nos garantiu que íamos ser muito felizes.


Comentários
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  • Manuela
    05 dez, 2017 lx 12:39
    Olá José Luís Nunes, chamou-me? então aqui estou! vou-lhe dizer o que procuro: procuro ter resposta daquilo que construí, aquilo que me foi possível construir! se pudesse tinha feito muito mais! agora, chegou a altura de pausar e esperar que me sigam o exemplo! parada nunca estive completamente; a vida é difícil quando (não/só) ouvimos os outros e não nos ouvimos a nós próprios! foi isso que quis dizer! não foi? tem toda a razão! não imagina como eu entendo, tão bem, as suas palavras! sózinha eu quase construí castelos nas nuvens, porque assumi responsabilidade e lutei bastante, pela responsabilidade que assumi! chegou a altura de abrandar, mas como sou teimosa com as coisas, ainda não acabei... Não me mandem calar,nem ficar quieta! eu procuro (na hora certa), encontrar paz! aquela paz que só se encontra de olhos fechados, algures num local sagrado, num silêncio, numa pausa eterna! Eu fiz tudo o que devia ser feito, para o alcançar! agora só me resta prepará-los para ficarem sem mim: - Vamos ter que nos separar, já falta pouco e eu quero que prestem atenção agora, enquanto ainda cá estou! -Não digas isso! (respondem-me, aflitos). Essa aflição deles perturba-me! como é que eu vou partir? eles não querem! e o caminho está a ficar curto! Eu pedi a Deus 75 ou 76, não quero mais que isso! e já cá cantam 70! não quero os 80, vão ter que entender! não quero que eles sofram por minha causa! eu sei o que me espera se chegar aos 80! "O que procuras?" Procuro que me entendam! nada mais.