O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
Opinião de José Luís Nunes Martins
A+ / A-

​O que é melhor para mim?

24 nov, 2017 • Opinião de José Luís Nunes Martins


Acreditar que há sentidos que nos ultrapassam é algo de elementar humildade. Por que razão haveriam os mistérios do mundo de caber nas nossas cabeças?

A nossa inteligência faz-nos julgar que conseguimos sempre avaliar bem as possibilidades ao nosso dispor, escolhendo depois aquela que por nós seja considerada a melhor.

Acreditar que há sentidos que nos ultrapassam é algo de elementar humildade. Por que razão haveriam os mistérios do mundo de caber nas nossas cabeças?

Enganamo-nos a nós mesmos, vezes sem conta. Curioso é que não aprendemos a duvidar mais das nossas opiniões a respeito de tudo o que nos rodeia.

Fazemos o que queremos ou o que devemos?

A vontade é muitas vezes confundida com os apetites (impulsos naturais e básicos para a satisfação quase cega de necessidades primárias) e com os desejos (pulsões de componente emotiva e que procuram satisfazer uma atração que não provém da razão).

Ser livre não é ser escravo do desejo, tão-pouco dos apetites. Ser livre é saber que não há outro destino a não ser aquele que as nossas mãos determinarem. Aceitar os sacrifícios da missão faz parte do heroísmo de lutar pelo melhor.

Querer é aceitar as consequências do que se quer.

Nesse sentido, o maior inimigo de qualquer um de nós é a má vontade.

É pela vontade que vencemos as adversidades. Não é a intenção que faz diferença, mas sim a decisão e a determinação que se coloca nas obras. A medida da vontade? O esforço e a disposição de que se é capaz, em particular a paciência de enfrentar o tempo que o bem demora, sem perder a convicção.

A vontade está em torno da raiz do talento. De qualquer talento. Sem vontade, nenhum talento chega a concretizar-se.

Há muitas coisas que são independentes da nossa vontade e que escapam ao nosso entendimento. Podemos tentar reconhecer-lhes algum sentido, como se fossem resultado de uma vontade maior e, talvez, melhor.

Tendemos a duvidar mais do que a ter fé, a desprezar mais do que a admirar, a procurar mais do que a esperar, a pensar mais no nosso contentamento do que a amar. Mas somos livres. Sempre. Até mesmo diante do amor podemos virar as costas e ir embora.

Entreguemo-nos à vida, cumprindo o que nos cabe, aceitando que há sentidos maiores e melhores do que aqueles que somos capazes de conceber.

Queira eu o melhor para mim, mesmo que não o compreenda nem seja o mais agradável.

Aprenda eu a acreditar, a admirar, a esperar e a amar.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.