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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Reformar a Arábia Saudita?

07 nov, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Reformar uma monarquia absoluta a partir de cima não é tarefa fácil.

A purga levada a cabo na Arábia Saudita é a mais extensa desde que, em 1932, a presente dinastia começou a reinar naquele país. Foram presos onze príncipes, quatro ministros em funções, dezenas de altas figuras do Estado, milionários, etc. Todos acusados de corrupção.

E foram demitidos o chefe da Guarda Nacional, o comandante da Armada e o ministro da Economia. Ora, já em Setembro tinha ocorrido uma onda de prisões, embora mais limitada.

Foram ordens do presente homem forte da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman (MBS), de apenas 33 anos. O rei Salman, de 81 anos, tinha em Junho passado substituído o príncipe herdeiro, um sobrinho, colocando um filho, MBS, nesse lugar.

A grande dúvida, agora, está em saber quais as verdadeiras motivações de MBS, um homem ambicioso. As purgas terão sido executadas sobretudo para afastar possíveis rivais de MBS, que ainda não é rei? É uma explicação que tem sido dada para o combate à corrupção do Presidente chinês, Xi Ping.

Mas MBS afirma querer modernizar a Arábia Saudita. Declarou mesmo desejar para o seu país um Islão moderado, condenando os últimos 30 anos da Arábia Saudita, que considerou “anormais” pelo seu ultraconservadorismo islâmico. E já algumas medidas liberalizantes foram tomadas, como permitir que as mulheres sauditas conduzam automóvel e que possam ser espectadoras em três estádios.

Atenuar a dependência do petróleo é outro objectivo maior de MBS. Mas será difícil atrair investidores estrangeiros enquanto a situação política saudita não estabilizar. E a política externa de MBS, aplaudida por Trump, suscita alguma preocupação: trata-se de confrontar o Irão, isolar o Qatar e prosseguir a guerra no Iémen, que não está a correr bem para os sauditas.

Reformar uma monarquia absoluta a partir de cima não é tarefa fácil. Claro que essa reforma será preferível a um banho de sangue de uma revolução. Mas é possível reformar pela via pacífica um país com um regime tão arcaico como o que vigora na Arábia Saudita?

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Comentários
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  • Ricardo Martins
    07 nov, 2017 Lisboa 20:46
    Reformar a Arábia Saudita como ? os seus amigos direitolas dos USA , FRANÇA , REINO UNIDO não param de lhes vender armas isto é um ponto , outro um beato reaccionário como é o seu caso deve gostar de alguns aspectos da Arábia Saudita como p.e a proibição do aborto mesmo em caso de violação da mulher uma defesa aliás também assumida pelo Vaticano. (veremos se o comentário é editado ou censurado pela RR sempre que se fala mal do Vaticano vaca sagrada da RR.)
  • Antonio Leonel Costa
    07 nov, 2017 Feijó 15:44
    Uma tentativa deste rapaz de salvar a cabeça dando uma no cravo e outra na ferradura. Penso que não vai lá porque as reformas tinham de ser mais profundas e a Direita ultramontana não deixa e a guerra com o YEMEN vai-lhe cair em cima. Mais um para desaparecer e ficar sem cabeça.
  • Alexandre
    07 nov, 2017 Lisboa 08:53
    A estratégia concertada com os EUA em baixar o preço do barril do petróleo não deu resultado. Tal como não deu resultado a guerra no Iémen e as ajudas monetárias e em armas aos grupos sunitas que fazem a guerra na Síria contra Assad. A Arábia Saudita não é só um país medieval, onde ainda são decepadas cabeças em praça pública. É também um país corrupto, onde as forças de segurança já não têm líder. É quase provável que tudo acabe numa guerra civil. Já agora... alguma opinião sobre os últimos acontecimentos no Haiti?