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Nota de Abertura
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D. Manuel Martins, sinal de verdadeira coerência

26 set, 2017 • Opinião de Nota de Abertura


Durante vinte e três anos viveu nas ruas, nos bairros, nas fábricas de Setúbal. Falou claro dentro e fora da Igreja, baptizou, casou e enterrou a gente da sua Diocese, como um Pai que toma conta de todos os filhos.

Celebram-se hoje as exéquias de Dom Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal, no Mosteiro de Leça do Balio, concelho de Matosinhos, sua terra natal.

Ordenado Padre em 1951, estudou Direito Canónico em Roma e foi nomeado Bispo, da então nova Diocese de Setúbal, em 1975.

No dia da ordenação, as suas palavras firmes ficaram gravadas na memória de muitos: “Nasci Bispo em Setúbal, agora sou de Setúbal. Aqui anunciarei o Evangelho da justiça e da paz.”

Durante vinte e três anos Dom Manuel Martins viveu nas ruas, nos bairros, nas fábricas de Setúbal; tomou café ao lado de casa, falou claro dentro e fora da Igreja, baptizou, casou e enterrou a gente da sua Diocese, como um Pai que toma conta de todos os filhos. E tudo o que fez, foi sempre manifestação da exigência da sua Fé, que não lhe permitia calar a miséria, o desemprego e a fome que encontrou.

Não deixa de ser relevante a reação de respeito e admiração, à morte de vidas, marcadas por atitudes, que tantas vezes incomodam: denunciar o mal, criticar o poder, desafiar a comunicação social, lutar com palavras e atitudes pela defesa intransigente dos mais pobres.

Que transformações seriam possíveis na nossa sociedade, se o respeito e a admiração que agora se manifesta por D. Manuel Martins, prosseguisse na decisão politica, social e cultural, de colocar os mais frágeis no centro das prioridades, como sinal de verdadeira coerência entre o que diz e o que se faz. Afinal, foi essa a grande marca que o Bispo Emérito de Setúbal, Dom Manuel Martins, nos deixou.

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  • MASQUEGRACINHA
    26 set, 2017 TERRADOMEIO 16:04
    Concordo. Mas, no último parágrafo, onde se diz "(...) prosseguisse na decisão política, social e cultural, de colocar os mais frágeis no centro das prioridades, como sinal de verdadeira coerência entre o que [se] diz e o que se faz.", creio que seria de dizer "na decisão política, social, cultural e religiosa". A menos que se entenda a decisão religiosa como negligenciável ou como parte integrante da dimensão social ou cultural, o que penso não ser o caso da RR. Ou que se ache que a decisão religiosa é exemplar de coerência, o que também penso não ser o caso. Talvez o "e religiosa" se tenha perdido no teclado... Na verdade, partiu um grande homem. Um grande homem religioso.