O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
|
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

Voltou a crispação

30 ago, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O clima político voltou a azedar, não obstante os bons indicadores económicos.

Quando António Costa, apesar de ter perdido as eleições para Passos Coelho, conseguiu fazer aprovar no Parlamento um governo socialista por ele chefiado, graças ao apoio do BE e do PCP, levantaram-se dúvidas sobre a estabilidade da chamada “geringonça”.

Ao longo de 2016, porém, A. Costa mostrou que tinha “metido no bolso” os seus apoiantes de extrema-esquerda e que iria mesmo cumprir – como cumpriu – as metas orçamentais acordadas com Bruxelas.

2017 trouxe notícias ainda mais favoráveis, com o “boom” do turismo, o crescimento económico em alta e o desemprego a cair. Foi o fim da crispação, apesar de a propaganda governamental quanto ao alegado fim da austeridade ser contrariada por um investimento público irrisório e por cortes cegos na despesa do Estado, causando sérios problemas em escolas, hospitais, Forças Armadas, polícias, etc.

Em 2016, o tempo de espera para uma cirurgia no Serviço Nacional de Saúde foi o maior dos últimos seis anos.

A boa disposição de António Costa só foi abalada pela tragédia de Pedrógão Grande, apesar de uma sondagem (“focus group”) logo mandada fazer pelo PS indicar que o governo se mantinha popular.

O problema foi que no mês e meio que se seguiu raro foi o dia em que os incêndios florestais não encheram as televisões. Essa onda teve agora uma pausa com algumas chuvas, mas não sabemos se ainda irão arder mais hectares.

Entretanto, tornaram-se claras as deficiências no combate às chamas. Falhas de coordenação, sobretudo. Por alguma razão Portugal é, desgraçadamente, o “campeão” dos fogos florestais na Europa.

Costa e o Governo em geral procuraram adiar respostas, “chutando para canto” e tentando arranjar alguns bodes expiatórios. Mas o primeiro-ministro percebeu que a confiança no seu executivo tinha sido mesmo afectada por este flagelo.

Assim se compreende o tom agressivo, mal disposto e até malcriado com que A. Costa se referiu aos líderes do CDS e do PSD na “rentrée” política do PS. Por exemplo, acusou Passos Coelho de diariamente criticar os bombeiros – coisa que ele sabia, ou devia saber, que o líder do PSD nunca fez.

É uma agressividade que lança as maiores dúvidas sobre a seriedade da proposta feita dias antes por A. Costa de aprovar no Parlamento por maioria de dois terços (logo, com o PSD) os grandes investimentos públicos.

As eleições autárquicas só em escassa medida explicam o regresso a este desagradável clima de crispação.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Justus
    30 ago, 2017 Espinho 17:17
    Só agora vejo este pedaço de propaganda que S. Cabral faz ao governo e ao PS! Como bom "cartilheiro" que é, seguindo à risca as últimas "manobras" do líder do PSD, o governo de António Costa tem feito coisas muito boas. S. Cabral já deixou de lado as impossibilidades de governo, as críticas ao desempenho, os desastres económicos, a apropriação dos êxitos, a colagem a esses êxitos e, agora, como o chefe, vem tecer elogios a António Costa e ao seu governo. Até nisto António Costa é um mestre exímio: colocou um pouco de inteligência em Passos Coelho e nos escribas que o apoiam. Mas S. Cabral, apesar desta conversão forçada, não consegue desfazer-se da inveja que o morde e lá vai dizendo e escrevendo as suas invenções para entreter "papalvos". Acusar Passos Coelho de diariamente criticar os bombeiros é ser agressivo, mal disposto e malcriado? Por amor de Deus, Sr. S. Cabral, não perca completamente o norte, nem caia no ridículo. As coisas correm-lhe mal, o país está a crescer, os portugueses estão melhor e o sr. não gosta nada disto! Tenha paciência!
  • JP
    30 ago, 2017 Olhão 12:32
    Sr Cabral o seu discurso só pega na " universidade do verão " da direita radical onde o seu correligionário cavaco saiu em ombros pela porta de serviço. Já agora só faço uma pergunta. O aumento do turismo seguido do aumento do emprego bem como o aumento das contribuições para a SS não são consequência da BAIXA DO IVA NA RESTAURAÇÃO. Em relação ao tempo de espera nas cirurgias o sr Cabral é tão isento que se esqueceu de mencionar QUE HOUVE MAIS CIRURGIAS FEITAS NO SNS. Ou não é assim!? Poderia argumentar mais pontos do seu discurso de verão só que tenho coisas mais importantes para fazer como seja produzir valor acrescentado para a riqueza do país.
  • XUXAS MANIPULADORES
    30 ago, 2017 Lx 11:30
    Os xuxas são uns manipuladores foleiros e vendedores da banha da cobra. Adiaram hoje o reembolso de pagamentos para 2022 por razões eleitorais e orçamentais para fazer os fretes aos amigos da geringonça. O PCP, através da CGTP, essa cambada de inúteis que prejudicam os outros trabalhadores e o país, voltou ás greves agora na Auto Europa esperando que os alemães não se aborreçam de vez e desocalizem a produção para o pais ex comunista da Hungria ou outro, o Ministro da propaganda diz que o alivio fiscal era para quase 4 milhões de tugas e 2 horas depois desmentiu, ainda não se sabe das responsabilidades dos incêndios , Tancos e da lei da rolha aos bombeiros e à Porto Editora...Enfim, a manipulação do socialismo é mais do que muita kmaradas e vamos pagar por isso...