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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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O futuro da Catalunha em causa

28 ago, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O Estado espanhol à beira de uma grave crise constitucional, por causa da Catalunha.

No sábado passado, o Rei de Espanha, Felipe VI, participou pela primeira vez, nessa qualidade, numa grande manifestação contra o terrorismo, em Barcelona.

Na manifestação, o Rei foi assobiado e apupado, juntamente com o primeiro-ministro Rajoy. Como escreveu o “El País” em editorial, o fanatismo independentista rompeu a imprescindível unidade.

Tal fanatismo também se manifestou em marchas independentistas que terminavam no local da manifestação. Esta mais parecia em favor da independência catalã do que contra o terrorismo islâmico, que matou pelo menos 16 pessoas na sua última investida.

Por outras palavras, nem os trágicos atentados de Barcelona e arredores suspenderam a fúria independentista, apesar de a Catalunha ser uma região onde estarão mais ou menos escondidos muitos jihadistas.

Curiosamente, as sondagens mostram que a maioria dos residentes na Catalunha não quer a independência – embora reclame pronunciar-se em referendo sobre o assunto.

Só que a lei espanhola proíbe referendos sobre a independência de qualquer região autónoma, como é a Catalunha. Os dois maiores partidos espanhóis, o PP e o PSOE, são contra a independência da Catalunha e o referendo.

Ora, o governo e o Parlamento autonómicos marcaram para 1 de Outubro um referendo ilegal sobre a independência da Catalunha. O Estado espanhol está à beira de uma grave crise constitucional, pondo em confronto o governo central e o autonómico.

Já existe uma apreciável autonomia na região, como noutras de Espanha. A Catalunha tem um parlamento próprio, um governo regional, etc. E o catalão é língua oficial, a par com o castelhano.

Talvez seja possível alargar um pouco, mas não muito, o poder autonómico. Mas o PP e Rajoy reagem mal a que se diga que a Catalunha é uma nação – mas é, como são também o País Basco, a Galiza, etc.

O Estado espanhol é plurinacional, tal como o Reino Unido, a Alemanha, os Estados Unidos, etc. Considerar legalmente a Espanha um Estado federal, como acontece nesses países, não parece um problema do outro mundo. E talvez acabasse com os independentismos.

Comentários
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  • JOSÉ R. RIBEIRO
    30 ago, 2017 ESPOSENDE 00:03
    Apenas alguns comentários. Primeiro, que o "El País" e outros jornais madrilenhos estejam numa cruzada (essa sim, furiosa e fanática) contra a Catalunha já não surpreende ninguém; admira é que ainda haja portugueses que lhes dêem crédito, em vez de tentarem compreender o desejo de independência de tantos catalães. Segundo, o referendo só é ilegal porque Madrid impede que seja feito legalmente. Terceiro, se é verdade que a maioria dos catalães não quer a independência, porque é que o referendo mete tanto medo a tanta gente? Quarto, os exemplos que Sarsfield Cabral dá de estados federais evidenciam precisamente o oposto do que o autor defende: por um lado, a EUA e a Alemanha (ao contrário de Espanha) não são estados plurinacionais, pois as suas unidades federativas (apesar de dotadas de muita autonomia) não possuem carácter nacional; por outro, o Reino Unido, este sim um estado plurinacional, mostra bem - basta ver que por pouco os escoceses não se tornaram independentes no último referendo - que um estado federal não impede o desenvolvimento do espírito independentista. Aliás, muitos estados federais se desintegraram precisamente porque "uniam" nações distintas (Jugoslávia, URSS, Checoslováquia) e outros é com dificuldade que (por enquanto) mantêm a sua coesão (Canadá, Bélgica, Iraque). Finalmente, em Espanha, não apenas os partidos centralistas (PP, PSOE, Ciudadanos) nunca aceitariam uma federação "a sério", nem já os próprios catalães se contentariam com uma federação.
  • Joaquim Ferreira
    29 ago, 2017 Portugal 15:18
    Sobre o conteúdo que me precede, penso que a afirmação do Sr: Cabral está muito certa e penso que até a formação de um Estado Federal será mesmo impossível implantá-lo porque com o ideal castelhano à frente nada é possível neste campo. Os espanhóis /castelhanos, como orgulhosos que mostram ter de imperialismo, a criação de tal organização é difícil visto que eles não querem descer a uma igualdade que se requer
  • viva a catalunha
    28 ago, 2017 Olivença 22:44
    Vendo melhor a situação pelo lado da verdade, os catalães são vítimas do imperialismo castelhano ditado por Madrid, esta é a realidade, se votarem os catalães e não os castelhanos e outros que habitam o país certamente que o resultado não surpreenderá ninguém.