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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Mais vale prevenir…

23 ago, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O défice externo de Portugal está a crescer desde Maio. Um regresso ao passado?

Diz-se que um país vive acima das suas possibilidades quando as suas contas externas estão desequilibradas e o crédito para financiar esse défice externo vai sobretudo para o consumo e não para criar riqueza, que possa mais tarde pagar os empréstimos.

Um défice externo superior a 10% do PIB atirou-nos para a quase falência há seis anos. Só não abrimos bancarrota porque a “troika” nos emprestou 78 mil milhões de euros. Um crédito com condições, claro. Foi preciso baixar o consumo reduzindo os rendimentos dos portugueses, o que obviamente não se fez sem dor.

Ora a euforia com a recuperação económica em curso arrisca-se a levar a economia portuguesa de novo para uma situação próxima daquela. Ainda estamos longe do desastre, mas convirá tomar cuidado, pois há indícios preocupantes. Mais vale prevenir do que remediar…

O endividamento dos particulares diminuiu um pouco. Mas o crédito ao consumo tem crescido demais, como já aqui sublinhei. A poupança das famílias encontra-se em mínimos históricos. Enquanto o crédito às empresas não dá mostras de recuperação significativa. Por isso as empresas vão procurar crédito no exterior, como ontem revelou o Banco de Portugal. Aumentou 3,5 mil milhões de euros o financiamento obtido pelas empresas junto de não residentes.

Prossegue o bom comportamento das exportações e o “boom” do turismo. Mas as importações sobem fortemente - cresceram 15% as importações de mercadorias no primeiro semestre – e boa parte delas não foi para maquinaria e equipamentos empresariais, mas para automóveis e outros bens de consumo.

Daí que o défice externo (incluindo a balança corrente e a de capital) tenha atingido 685 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, contra um défice de 356 milhões de euros no primeiro semestre ano passado. Este agravamento acentua-se desde Maio. Se ele continuar nos próximos meses, haverá motivos para séria preocupação.

Comentários
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  • Antonho
    24 ago, 2017 Porto 22:06
    Espero que o BCE, que está a pagar esta paz, não ande distraido demais com a Itália e monotorize os bancos portugueses, se assim for está tudo bem.
  • joao123
    24 ago, 2017 lisboa 04:25
    Mais preocupante ainda é o aumento constante da dívida pública, cuja parte desse aumento foi usado o ano passado para mascarar a descida do défice .Estamos a voltar ao empurra para baixo do tapete e quem vier atrás que mande apertar o cinto e pague a conta...
  • mau agoiro
    23 ago, 2017 18:49
    Ao ouvir e ver ontem esta notícia na TV confesso que fiquei um pouco apreensivo sobre tal situação e isto logo me começou a cheirar a esturro como num passado recente, recordo-me que estes governantes e a sua geringonça de apoio muito badalaram no início com o incentivo ao consumo o pior é que este para além de já estar de novo a endividar as famílias está também a endividar o país com o desequilíbrio da balança comercial e isto cheira-me a mais do mesmo e depois teremos a infindáveis desculpas de que a culpa é dos outros como sempre acontece e lá estaremos nós de novo de braços atados e asfixiados por mais uns anitos a pagar as asneiras dos políticos.
  • César Soares
    23 ago, 2017 Cascais 17:24
    Infelizmente o problema não é só o “PS”. Ninguém (de boa fé e alguma idade) poderá assegurar que “agora”, nas actuais condições e circunstancias, qualquer dos outros partidos (ou coligações) “habituados” a “governar”, não estaria a fazer algo parecido ou pelo menos com os mesmos inconvenientes. Faz parte do “sistema” eleitoral… O Henrique Medina Carreira, morreu.
  • Anonimo
    23 ago, 2017 Porto 15:33
    Um caminho de espinhos e sempre um caminho de espinhos.
  • Roque Almeida
    23 ago, 2017 Lisboa 13:03
    Mais uma vez o PS a atirar o país para a falência, e a seguir a ter que vir o PSD fazer o trabalho que ninguém quer fazer. Será que o problema não passa por andarmos sempre a votar nos mesmo?