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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Desempregados sem subsídio

11 ago, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Não é aceitável o número de desempregados em Portugal sem protecção.

Fala-se muito pouco, em Portugal, dos desempregados que não recebem qualquer subsídio – porque não estão inscritos nos centros de emprego (haverá 163 mil pessoas nessa situação), porque já ultrapassaram o número de meses durante os quais têm acesso ao subsídio (período encurtado pela “troika” em 2012 e entretanto inalterado) ou por qualquer outro motivo.

O diário “Negócios” chamou a atenção na passada quarta-feira para o facto de o número de desempregados sem protecção estar a baixar muito mais lentamente do que o desemprego – que caiu para 8,8% da população activa no segundo trimestre desde ano.

Segundo o INE, 74% dos desempregados não recebem qualquer subsídio – cerca de 390 mil pessoas.

“Seria preciso recuar ao final dos anos 90 e ao início do milénio para encontrar níveis de desprotecção desta ordem”, escreveu Manuel Esteves no “Negócios”.

Lê-se no artigo citado que a secretária de Estado da Segurança Social afirmou ser intenção do Governo levar as regras do subsídio de desemprego à concertação social até ao final do ano.

Esperemos que tal intenção se concretize, até porque a única medida tomada pelo actual Governo, apoiado pelo PCP e pelo Bloco, para atenuar aquela desprotecção foi um subsídio social, lançado em 2016 para famílias especialmente pobres.

Estimava-se que a medida pudesse atingir cerca de 40 mil pessoas, mas até ao final de Junho do corrente ano tinha beneficiado apenas 3,2 mil.
Comentários
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  • Justus
    11 ago, 2017 Espinho 19:38
    Não costumo responder aos comentários dos comentadores porque sempre entendi que o comentário faz-se ao texto do articulista. Mas neste caso, o comentário do José, chocou-me imenso. Assemelho este episódio à "quase escravatura". Um dia de trabalho por um "miserável" subsídio de refeição é algo que não esperava que acontecesse em pleno século XXI. Parece que os cursos de formação são para dar emprego aos formadores e não aos formandos. Os políticos, em vez de discutiram se o desemprego diminuiu ou aumentou uma décima e quem foi o governo que mais baixou ou subiu o desemprego, deveriam olhar para esta realidade do dia a dia. A bem dos portugueses e do país.
  • José
    11 ago, 2017 Viana do Castelo 14:51
    Actualmente estou desempregado e sem subsídio de desemprego, e recentemente, fui convocado por um dos Centros de Empregos da zona afecta ao Distrito de Viana do Castelo. Para frequentar um curso de formação de nível 4. Mas como sou detentor de uma Licenciatura; só iria receber o subsídio de refeição no valor de 4,52 euros por cada dia de formação. A formação tem um total de 1400 horas de formação, a decorrer em período laboral, ou seja das 9h-13h e das 14h-17h,( um total de 7h diárias ); todos os dias úteis perfazendo aproximadamente 8 meses. E desta forma, deixava de contar como desempregado, pois estava em formação. Então, recordei tempos, em que no antigo regime o meu pai ia trabalhar por um prato de comida, e volvidos 41 anos da revolução,depois de ter concluído uma licenciatura e de possuir varias formações, propõem -me fazer formação pelo valor de uma diária...Pois é, a vida prega-nos muitas partidas.
  • Justus
    11 ago, 2017 Espinho 11:26
    S. Cabral, como de costume, pretende enganar os leitores. Em vez de dizer que foi o governo de Passos Coelho que encurtou o período de acesso ao subsídio de desemprego e, por isso, o causador do estado atual, atira as culpas para a troika. Estes escribas alinhados politicamente, quando não lhes convém, endossam as responsabilidades aos outros, como se a troika fosse o governo de Portugal. E que dizer do sentido de nacionalidade e soberania! Nem sequer têm pejo em afirmar que foram os estrangeiros que governaram em Portugal entre 2012 e 21015. Que o foram já nós sabíamos, embora tenhamos vergonha desse período da nossa história recente.
  • Alexandre
    11 ago, 2017 Estoril 10:35
    No tempo do PPC a actual geringonça falava muito deles para (juntamente com os emigrantes) justificar a descida do desemprego. Agora é que parece que já não existem.
  • pedro miguel
    11 ago, 2017 porto 10:31
    Pessoas normais, sejam pessoas desempregadas nos seus 50 anos, até ai com trabalho ininterrupto de decadas, estao sem qualquer rendimento, mesmo sem rsi. E se a tantos vai sendo possivel sobreviver encostado a alguem que lhe alimenta o estomago, imagine-se o que é viver sem dinheiro nenhum, por exemplo sem dinheiro para aviar uma receita medica. Por exemplo : um indiviuo, sem dinheiro, com urgencia dentaria contactou pessoalmente todos os organismos principais do ministerio da saude, e ate hospitais ditos da solidariedade social, e nenhum o apoiou. Para quem nao sabe, o doente mesmo que encaminhado formalmente pelo seu medico de familia para o hospital, esse hospital só atende pessoas portadoras de virus.