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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​A quebra na poupança das famílias

13 jul, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Portugal continua com bom ambiente no mercado da dívida pública. Mas preocupa a queda da poupança.

O Estado português emitiu ontem dívida a longo prazo, com sucesso. Foi uma operação não sindicada – sindicada seria ter um grupo de bancos que, à partida, garantiriam a compra da dívida. A maioria das emissões anteriores havia sido sindicada.

O juro a 28 anos ficou ligeiramente abaixo dos 4%, contra 3,13 % numa emissão a 30 anos em 2015, sindicada. A dez anos o juro foi de 3,08%, contra 2,8% no mês passado, em emissão também sindicada.

Estas pequenas subidas nos juros podem ser atribuídas a uma tendência geral de alta, que atingiu a própria Alemanha. Mas são um aviso para um país que tem uma dívida pública tão grande como Portugal (cerca de 130 % do PIB). Os juros subirão provavelmente a médio prazo, até por factores alheios à economia portuguesa.

Mais preocupante é a baixa da poupança das famílias, que foi fortemente negativa no primeiro trimestre do ano. É certo que houve devolução de rendimentos, pondo mais dinheiro na carteira de funcionários públicos e pensionistas, o que estimulou o crescimento económico. Mas creio que a ideia, constantemente propagandeada pelo governo, de que tinha acabado a austeridade contribuiu para uma euforia consumista excessiva. Há dois meses, o governador do Banco de Portugal disse estar preocupado com a expansão do crédito ao consumo.

O alegado fim da austeridade nem sequer representou um benefício para muita gente. Cortando nas despesas de investimento, que tiveram em 2016 o valor mais baixo desde que há registos, e que este ano continuam bem abaixo do orçamentado, assim como cativando despesa corrente de inúmeros serviços, o Governo cumpriu as metas de Bruxelas. É positivo para o país ser “bom aluno”.

E o Conselho das Finanças Públicas, depois de analisar as contas do Estado no primeiro trimestre, considerou ontem existir uma indicação de que Portugal cumprirá o défice de 1,6% do PIB em 2017. Mas os custos humanos e sociais daqueles cortes, sobretudo para a população com menos recursos, também são uma forma de austeridade.

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