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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Um passo ecuménico

12 jul, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A Comunhão Mundial da Igrejas Reformadas uniu-se a católicos, luteranos e metodistas na doutrina da justificação.

Uma das questões que deu origem à Reforma Protestante, cujo quinto centenário é agora assinalado, consistiu na recusa de Lutero de fazer depender a salvação das pessoas das boas obras, ligando-a exclusivamente à graça de Deus. Já os católicos, nomeadamente no concílio de Trento, defendiam que à graça divina se deveriam acrescentar as boas obras.

Divergências como esta deram origem a trágicas guerras de religião. Entre católicos e protestantes, mas também entre diversas confissões protestantes.

O movimento ecuménico tem conseguido alguns avanços no sentido da unidade dos cristãos, embora esta ainda não seja visível no horizonte.

Um desses avanços aconteceu há dias na Alemanha: a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, que reúne 200 denominações em cerca de uma centena de países, juntou-se à Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, assinada em 1999 pela Igreja Católica e pela maioria das Igrejas Luteranas.

Para esse acordo contribuiu o então cardeal Ratzinger, depois Papa Bento XI, que aliás participou em numerosos encontros não apenas com cristãos não católicos como, também, com intelectuais não crentes, como Habermas e Paolo Flores d’Arcais.

Lê-se nessa Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação de 1999: “No século XVI, a interpretação e aplicação contrastantes da mensagem bíblica da justificação constituíram uma das causas principais da divisão da Igreja ocidental, o que também se expressou em condenações doutrinais. Por isso, para superar a divisão na Igreja, uma compreensão comum da justificação é fundamental e indispensável.

Acolhendo resultados da pesquisa bíblica e percepções da história da teologia e dos dogmas, desenvolveu-se no diálogo ecuménico desde o Concílio Vaticano II uma nítida aproximação no que diz respeito à doutrina da justificação, de modo que a presente Declaração Conjunta pode formular um consenso em verdades básicas da doutrina da justificação a cuja luz as correspondentes condenações doutrinais do século XVI não mais se aplicam hoje”.

O consenso entre católicos e luteranos resultou na seguinte posição: “apenas por graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa do nosso mérito, somos aceites por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para boas obras”.

A este consenso juntou-se em 2006 a Igreja Metodista. E, há uma semana, a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas. É mais um passo.

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