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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Revolução no petróleo

07 jul, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A OPEP perdeu a guerra para subir os preços do petróleo. Foi derrotada pelo petróleo e gás de xisto dos EUA.

Um dos motivos para a Polónia ter convidado Trump a visitar o país, antes da reunião do G20 em Hamburgo, foi o desejo dos polacos dependerem menos de importações de petróleo e gás da Rússia. Ora os EUA tornaram-se nos últimos anos grandes produtores destes combustíveis. E recentemente aboliram uma proibição de exportar petróleo (excepto para o vizinho Canadá) que durou quatro décadas. Hoje, os americanos vendem petróleo e gás natural em todo o mundo, da Coreia do Sul à Índia e à China. Os EUA já começam a rivalizar com a Arábia Saudita, como vendedores, em alguns mercados.

Na base deste surto exportador americano está a extracção de gás e petróleo perfurando rochas de xisto. O método suscita perigos para o ambiente, nomeadamente a possível contaminação de águas subterrâneas, mas mostra-se extremamente eficaz. Até porque os produtores dos EUA conseguiram reduzir custos quando o preço do petróleo baixou, mantendo-se operacionais.

Um conhecido “guru” do petróleo, Andy Hall, citado pelo Financial Times, afirma-se desiludido quanto à possibilidade de o preço do “crude” subir nos próximos anos. A confissão é significativa, pois Andy Hall andou anos a prever a subida do preço do petróleo. O “crude” passou de mais de 110 dólares o barril em 2014 para menos de 30 dólares no ano passado. Depois subiu um pouco, mas não parece capaz de ultrapassar os 50 dólares o barril. No corrente ano o preço do petróleo desceu 15%, tanto em Londres como em Nova York.

É uma boa notícia para a economia portuguesa, que ainda importa muito petróleo e gás. Mas representa um rotundo fracasso para a estratégia da OPEP de cortar a produção para subir o preço. Até porque a Rússia, que não pertence à OPEP mas coordenou com ela os cortes na produção concretizados desde o princípio de 2017, parece recusar cortes adicionais.

As repercussões desta situação no Médio Oriente já se fazem sentir nos défices externos de dois dígitos da Arábia Saudita e de outros países produtores. Será difícil a diversificação destas economias, após muitos anos a enriquecerem com o petróleo. Mais um factor de perturbação num Médio Oriente que já tem conflitos que cheguem.

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  • António Costa
    07 jul, 2017 Cacém 23:51
    Gostei do seu artigo. O "crude" tem funcionado como o sangue do "terrorismo". Vamos ver.