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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​O novo ciclo político

06 jul, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O Governo cumpriu as metas de Bruxelas cortando no investimento e na despesa corrente. Em vez de reformar, debilitou o Estado.

Consta que terá acabado o “estado de graça” do primeiro-ministro. Talvez, mas as dificuldades que A. Costa passou a defrontar, incluindo o trágico incêndio florestal e o roubo de armas e munições em Tancos, têm boa parte das suas raízes na forma como o Governo conseguiu cumprir as metas de Bruxelas. Decerto que nem tudo se resume ao dinheiro, ou à falta dele. Mas algumas reduções na despesa pública estão a ter consequências indesejáveis.

O Governo eliminou cortes em salários da função pública e nas pensões. E foi reposto o horário das 35 horas semanais no Estado. As pessoas gostaram, claro. Mas era preciso compensar esses gastos. Daí os cortes drásticos na despesa do Estado, no investimento e na despesa corrente de muitos serviços públicas, com as célebres “cativações”.

“A maior responsabilidade em Tancos é do poder político, que tem desinvestido nas Forças Armadas”, disse à Renascença o major-general Raul Cunha, que já chefiou aquela base. Recentemente citei aqui o bastonário da Ordem dos Médicos, que apontou enormes faltas de pessoal médico, de enfermagem e de outros profissionais no Serviço Nacional de Saúde. E se insurgiu contra a imposição pelo Governo de um brutal corte no recurso a apoios externos por parte dos hospitais do Estado.

E há pouco mais de um mês reproduzi afirmações do Prof. Paulo Trigo Pereira, um independente integrado na bancada parlamentar do PS. São nomeadamente deste apoiante do Governo as seguintes palavras: “Houve nos últimos anos uma deterioração na qualidade dos serviços públicos. Os cortes na cultura foram significativos e os respectivos orçamentos são irrisórios. A função reguladora do Estado está diminuída, pelas carências de recursos humanos nas inspecções gerais. A investigação criminal está assoberbada e carenciada por falta de inspectores na Polícia Judiciária. Na saúde, para além das dívidas dos hospitais, há carência de anestesistas, sem os quais as listas de espera das cirurgias aumentam. Apesar de algum aumento nos médicos e pessoal de enfermagem em 2016, as carências são ainda manifestas”. Poderia acrescentar-se que existem auto-estradas com portagem (Aveiro-Vilar Formoso, por exemplo) cujo piso está degradado e perigosíssimo.

Mas então não é preciso reduzir a despesa pública? Claro que é, mas de maneira racional, introduzindo reformas no funcionamento de serviços públicos, poupando dinheiro dos contribuintes. O governo PSD/CDS não avançou na reforma do Estado. O actual executivo foge das reformas, que os seus apoiantes de extrema-esquerda detestam. O resultado está à vista.

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Comentários
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  • Joao Almeida
    07 jul, 2017 Ceira 10:34
    Caros leitores, São as politicas obsessivas do controle do deficit, impostas pela Comissão Europeia, e, que um governo PSD/CDS "quis ir ainda mais além, do que era pedido"! Foram as politicas de privatizações neo-liberais, a lógica de mercado livre, as parcerias PPP, o salvamento dos bancos, a insistência numa moeda única, que não funciona, tudo a somar, na DESTRUIÇÃO do poder do Estado. Agora querem ter um Estado forte e responsável, quando com tudo que cito, houve uma "conspiração", para o tornar vulnerável e sem hipótese de funcionar, para REINAR, não o Estado, mas O chamado MERCADO global!Perante isto qualquer governo se torna ineficaz, para fazer REFORMAS!
  • Vasco
    06 jul, 2017 Santarém 22:13
    Curioso é ver por aqui comentadores sempre na defesa do actual governo como se não percebessem logo de início que fazer omeletes sem ovos não é possível, fazem-me compará-los ao outro xuxualista da Venezuela que arruína o país e manda assassinar pessoas desesperadas com fome e carência de todos os meios e depois vem dizer aos seus doutrinados apoiantes de que a culpa vem de fora.
  • maria
    06 jul, 2017 lisboa 19:05
    As consequências aparecerão ( algumas já aí estão), há quem escolha ser ceguinho...
  • Justus
    06 jul, 2017 Espinho 18:29
    Efectivamente, depois de todos os fracassos dos políticos ressabiados e daqueles que seguem à risca as suas directrizes, ou seja, os jornalistas cartilheiros", surgiu um novo ciclo: imputar ao governo tudo o que de mal acontece em Portugal. Se chove a culpa é do governo e se não chove também o é. É o ridículo desta gente, levado ao extremo: inventam e imputam responsabilidades, mesmo as próprias. Esta onda de maledicência gratuita e rancorosa, o novo ciclo, passará como as outras, já que se estriba em puras mentiras. O governo anterior desinvestiu no Estado e debilitou-o, como é notório e do conhecimento de todos os portugueses. S. C., porém, mente, dando a entender que isto foi feito pelo actual governo. Não sabemos todos nós, excepto S.C. claro, que o governo anterior queria, praticamente, acabar com o Estado? A mentira não pega porque os portugueses não são ignorantes e analfabetos como pensa S.C. Esperava-se que S.C., como cristão, criticasse o fabrico, armazenamento e venda de armas de guerra, que servem para matar milhares e milhares de pessoas, mas não. Para ele esse não é o mal. O mal é terem-nas roubado, esquecendo-se de dizer que o roubo, eventualmente, só foi possível porque o governo anterior entregou à segurança de privados aquilo que deveria estar sempre sob a vigilância do exército. Não desvirtuar e confundir as questões é aquilo que S.C. deveria aprender. Ainda vai ter que engolir em seco, como fez o seu amigo P.C. ao pedir desculpa pelo boato do suicídio.
  • JP
    06 jul, 2017 Olhão 17:45
    Continuando. O título do seu comentário tem uma carga de saudade do tal centrão. O NOVO CICLO POLÍTICO. Qual ciclo? O ciclo da cristas e do Coelho. Pois é sr Cabral um bom católico nunca perde a esperança e está sempre à espera de um milagre. Pode querer que mesmo sem bruxaria vai ser muito difícil esta gente voltar ao poder têm que arranjar outras caras. Mas voltando ao desinvestimento e cativação nas FA. Sr Cabral então as FA não tem dinheiro e manda um batalhão para o Kosovo. O sr sabe quanto custa só a logística para levar estes homens e material pelos vistos a FA tem dinheiro para combustível pois deve custar mais do que levar pessoas e material no NIASSA ou no UIGE por exemplo. Será que este pessoal não seria mais útil a defender os paíois dos assaltos? Afinal não há falta de pessoas há é outras coisas possivelmente. Depois não há dinheiro e contratam privados para fazer segurança em unidades militares distribuindo o orçamento por todas as empresas existentes no ramo. Será isto culpa da tal extrema esquerda. Sr Cabral sejamos honestos intelectualmente falando e deixemos de geringonças e de extremas. Meu caro sr os culpados disto tudo têm nome e rosto falta é coragem para lhes dar nomes sendo mais fácil alimentar o ego de gente acéfala.
  • JC
    06 jul, 2017 charneca da caparica 12:59
    Acordou e desceu à terra, seja bem vindo Sr. Francisco. Quando se acorda do coma profundo precisamos de recordar a essa pessoa algumas coisas, por isso aqui vai uma ajudinha Sr. Francisco . O governo que mais desinvestiu nas forças armadas, foi o do PSD/CDS-PP, entre 2011 e 2015, no entanto manda a boa gestão que seja qual for a dinheiro que temos ele deve servir para gastar no principal e no caso das forças armadas o principal é guardar aquilo que é seu, ou seja as armas, O governo que mais cortou na despesa pública em todas as áreas e com consequências desastrosas foi o do seu partido Sr. Francisco, O governo que mais vendeu o que era dos portugueses foi o do seu partido Sr. Francisco. O governo que mais odiou os trabalhadores e reformados foi o do seu partido Sr. Francisco. Com o tempo possivelmente a memória volta ao normal.
  • José Carlos
    06 jul, 2017 10:07
    Curioso como os apoiantes do atual governo apontam o dedo ao governo anterior por ter desinvestido nas forças armadas e, sabendo isto, ainda desinvestiram mais. É como se comprar uma casa e culpar o anterior proprietário por não ter colocado duas portas. E o que é que fazemos? Retiramos mais duas janelas. Qualquer pessoa minimamente inteligente e com bom senso, identificando a falta das duas portas procuraria suprir essa falta. Mas o que é que este governo fez? Ainda desinvestiu mais para conseguiu o défice mais baixo de Portugal desde 1143. As faturas começam a chegar ea irresponsabilidade continua com governo e apoiantes a culpar o governo que cessou funções há mais de um ano e meio. Parece que somos governados por crianças que nunca assumem falhas nem culpas.
  • Miguel Botelho
    06 jul, 2017 Lisboa 08:45
    Que estranho não ter mencionado que o governo que mais desinvestiu nas forças armadas, foi o do PSD/CDS-PP, entre 2011 e 2015. Muito provavelmente, não o quis mencionar, para não ferir as susceptibilidades do seu partido, o PSD. Custa muito escrever a verdade, não custa?