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Opinião de José Luís Ramos Pinheiro
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Definitivamente, uma bandeira nacional

19 jun, 2017 • Opinião de José Luís Ramos Pinheiro


Este é um daqueles temas que só pode ser assumido como bandeira nacional. Abatendo diferenças e trincheiras. Juntando cores partidárias e diferentes sensibilidades sociais. Uma causa de todas as regiões e de todo o país. Para qualquer governo e qualquer maioria. É uma causa de todos e para todos.

A onda de solidariedade que percorre o país é sinal de que o sofrimento chocante e perverso dos últimos dias não deixa ninguém indiferente.

Aconteceu em Pedrógão Grande, podia ter ocorrido em muitos outros pontos de Portugal.

É por isso uma tragédia nacional que implica uma mobilização excepcional. No apoio às vítimas e às populações, tantas vezes envelhecidas, desprotegidas e isoladas; no apoio aos bombeiros que ano após ano entregam a vida, na defesa da vida dos outros; e também no apoio a todas as autoridades e organismos - locais e nacionais - para que tudo façam para minorar as consequências de um dos mais trágicos incêndios florestais, de que há memória em Portugal.

Fazer tudo isto é muito. Mas não basta. À solidariedade com o presente é indispensável somar a solidariedade com o futuro.

Se ninguém duvida de que há muito a fazer para reduzir o flagelo dos incêndios, então é necessário convocar o país para de modo permanente e consistente fazer desse combate uma prioridade nacional. Na prevenção, nos meios, na reflorestação e, sobretudo, na criação de uma consciência nacional que marque um ponto de viragem no folhetim grotesco que anualmente desperdiça vidas e recursos de tantos portugueses.

Este é um daqueles temas que só pode ser assumido como bandeira nacional. Abatendo diferenças e trincheiras. Juntando cores partidárias e diferentes sensibilidades sociais. Uma causa de todas as regiões e de todo o país. Para qualquer governo e qualquer maioria. É uma causa de todos e para todos.

O esforço de tantos e tantas vidas perdidas ganharão assim outro sentido. E um sentido maior.

Comentários
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  • Rui Bizarro
    21 jun, 2017 Lisboa 14:17
    Lamentáveis alguns destes comentários a um artigo muito certo e honesto.
  • Rui Araújo
    21 jun, 2017 Esposende 11:15
    Julgava que a bandeira nacional era a Expo 98, manjedoura de mamões.
  • MASQUEGRACINHA
    20 jun, 2017 TERRADOMEIO 17:28
    Bom, é de louvar o tom galvanizante da tal de "consciência nacional", seja lá isso o que seja, que o conteúdo é mais do mesmo. Isto não é uma questão de consciência nacional - a menos que o articulista pretenda defender algum tipo de movimentação coletiva como aconteceu no caso de Timor, e que se façam manifestações, ali em Lisboa, que é onde fica o País que não é paisagem, contra a bandalheira e anomia política. Porque é disso e só disso que se trata: inépcia política recorrente (e criminosa!), que também deve ser algum traço idiossincrático da tal "consciência nacional". Interesses económicos e eleitoralistas, falta de cojones e estupidez pura e simples: eis o que nos conduziu aqui - somadas as exigências incomportáveis, que nos espremem e impedem qualquer margem de manobra, dessa UE (dessa Alemanha!) agora também tão solidária... mas talvez já a pensar num apetecível mercado para helicópteros sem manutenção nem contrapartidas, ou em impor-nos um desígnio nacional útil, tipo Portugal como reservatório malcheiroso da pasta de papel da Europa - como, aliás, manifestamente desejam os que já por cá a produzem. Helicópteros, sistema de comunicações, protecção civil, eucaliptagem, minifúndio florestal e edificado podre em regime de o-seu-a-seu-dono-e-os-outros-que-se-lixem, leis que não se aplicam nem se sabem, populações descartáveis - tantos escândalos velhos e mal resolvidos, varridos para debaixo do tapete, a serem o rastilho e combustível desta vergonha. Essa sim, nacional.
  • Xavier
    20 jun, 2017 Condeixa 11:37
    pois, pois, bandeira nacional... a tanga de sempre... foi como o ajustamento, um sacrifício de "todos" pelo país... ... ... ...
  • Luis de Sousa
    20 jun, 2017 V. N. de Gaia 09:28
    Bom dia, É de facto um tempo de solidariedade. Diria mais, de fraternidade. O que me choca PROFUNDAMENTE é ver que o Estado não entra no campo da solariedade. Nessa campanha solidária para ajudar os nossos irmãos que sofreram e sofrem na pele tão terrível calamidade, o Estado português não abdica de cobrar IVA nas chamadas telefónicas 0.60 EUR IVA. E VERGONHOSO