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Nota de Abertura
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Nota editoral Renascença

Pedrógão Grande. Cuidar dos vivos primeiro, descobrir causas depois

19 jun, 2017 • Opinião de Nota de Abertura


É fundamental descobrir causas, encontrar respostas para o que nos choca, mas acima de tudo é tempo de cuidar dos vivos, de proteger famílias desfeitas e populações desesperadas.

Perante uma calamidade, o mundo responde. Seja um sobressalto da Natureza ou uma mão criminosa , o mundo responde com a proximidade que a actualidade permite.

Desta vez, o drama aconteceu aqui ao nosso lado, matou os nossos. Desta vez, arderam árvores, arbustos, mata, mas acima de tudo desapareceram pessoas e aldeias de uma forma devastadora. Todos vivemos a angústia de saber que o número de vítimas aumentava quase de hora a hora, num total nunca visto, neste país, num fim-de-semana em que estava dado o alerta do perigo.

É fundamental descobrir causas, encontrar respostas para o que nos choca, mas acima de tudo é tempo de cuidar dos vivos, de proteger famílias desfeitas, populações desesperadas; é tempo de pensar em todos aqueles que dão as suas vidas pelos outros, seja no meio da fúria do fogo, seja nos hospitais, onde todos são fundamentais. É tempo de cuidar da informação que fazemos e consumimos, neste equilíbrio tão difícil entre o espectáculo mediático e o respeito absoluto por quem sofre.

Temos pela frente, meses de calor intenso. Por esta razão e por todas as outras, é tempo de perceber de uma vez por todas que no combate aos incêndios jogamos o nosso futuro, num país que arde, todos os anos, perante a impotência de tantos... o nosso luto torna pública a nossa comunhão com as vítimas, mas é igualmente sinal de uma imensa gratidão para com todos os que estão no terreno, os bombeiros, as autoridades, as populações para quem a vida tem de continuar...

Comentários
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  • AC
    23 jun, 2017 Lx. 13:05
    Tudo certo. Mas quem é o "sebastião pereira" que a RR tanto aprecia? Eu fiz a pergunta na primeira vez que a RR nos falou dele, dando relevo aos seus comentários...afinal quem é o "artista"?
  • rosinda
    23 jun, 2017 12:46
    Neste governo nao faz sentido ministros demitir -se por coisa nenhuma vou desistir de bater na messma tecla!
  • Para refletir...
    20 jun, 2017 Almada 10:36
    Uma dos coisas que nos nos choca é a censura, a descriminação, a manipulação e falta de apoio aos mais fracos, ao cidadão anónimo, na comunicação social. Os media só vêm o que lhes interessa. "Quem nos guarda dos guardas?" E sei que o povo vai continuar a gostar de "circo"!
  • Luis
    19 jun, 2017 Lisboa 16:05
    Todos os grandes fogos florestais resultam das mesmas razões de há muito tempo a esta parte,razões demasiado conhecidas e sempre ignoradas pelo poder político.Este grande fogo teve duas grandes exceções.A forma como se iniciou e propagou e o numero de vitimas que infelizmente fez. Só quem ignora a situação das nossas florestas é que pode ficar surpreendido com a forma extraordinariamente rápida com que este incêndio se propagou alimentado pelas condições atmosféricas existentes e pelas que ele próprio gerou. Se não tivessem havido infelizmente vitimas, que todos lamentamos e devemos respeitar, hoje a discussão andaria apenas à volta da forma rápida com que se propagou e da resposta que foi dada. Segundo a opinião de um especialista em ecologia do fogo em Portugal não existe um analista de incêndios. Marta Soares com cinquenta anos também diz nunca ter visto um fogo assim. Afinal Portugal tem um analista de incêndios que até é deputado. Nem mais nem menos que Helder Amaral do CDS. Este senhor cujo partido durante quatro anos pouco respeito teve por muitos vivos demonstra agora também muito pouco respeito pelos mortos.Helder Amaral já veio a terreiro exigir responsabilidades num descarado e desprezível aproveitamento político. Estará lembrado este deputado de meia tigela que o seu partido fez durante quatro anos parte do governo anterior, que o seu idolatrado Portas foi vice 1ºMinistro e que a sua adorada Cristas foi ministra da Agricultura? Que é que fizeram pela floresta?
  • Gonçalo Gomes
    19 jun, 2017 Ansião 14:04
    Não, vocês, RR, não podem dizer "os nossos". Vocês são Lisboa, dos pés à cabeça.
  • Cidadao
    19 jun, 2017 Lisboa 10:35
    Os fogos detêm-se antes que aconteçam. É no Inverno que se apagam os fogos, e o investimento tem de ser no lado da prevenção: ordenar a floresta, evitar a proliferação de eucaliptos muito economicamente rentáveis mas uma árvore largamente combustível e ainda por cima com capacidade para em chamas propagar essas chamas a centenas de metros. Plantem árvores-bombeiro, ou seja castanheiros, e outras espécies que resistem mais ao fogo. E alterem as leis, passando a penalizar os donos que não ligam à limpeza das matas. Atinjam-nos onde lhes dói que é a carteira. Façam alterações a nível fiscal com a tributação do património de modo a desincentivar o abandono, onerando sobre os proprietários os encargos da prevenção e combate aos incêndios. Que o valor patrimonial tributário dos terrenos passe a ser calculado “em função dos usos potenciais” e não pelo actual “coeficiente de localização". Os terrenos deixados em herança a novos proprietários que não querem saber deles, ao fim de algum tempo, passam para as autarquias. Com isto e com o devido ordenamento das florestas, vão ver como as coisas mudam. Não há é coragem política pois a Floresta é em grande parte privada, e mexer nisso à séria, significa perda de votos.