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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​As incertas eleições britânicas

08 jun, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A primeira-ministra britânica apostou numa vitória esmagadora dos Conservadores. Mas um tal resultado está agora em dúvida.

Os britânicos vão hoje às urnas em eleições antecipadas. Depois do último ataque terrorista em Londres, houve quem levantasse a hipótese de adiar o acto eleitoral. Mas isso seria dar uma vitória aos terroristas, coisa que os britânicos nunca aceitariam.

Os resultados destas eleições são imprevisíveis. A 18 de Abril Theresa May anunciou eleições antecipadas, que antes havia rejeitado. As sondagens davam-lhe, então, perto de 25 pontos de percentagem de avanço sobre os trabalhistas. O actual líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, situa-se muito à esquerda, já elogiou Fidel Castro e Hugo Chavez, e tem uma agenda socialista assaz antiquada. Por isso a primeira-ministra T. May pensou que poderia ganhar uma grande maioria na Câmara dos Comuns, onde agora só tem mais 17 deputados. Sairia, assim, fortalecida para negociar o “brexit” com a UE.

Mas este cálculo parece ter saído furado a T. May. Também o anterior primeiro-ministro, D. Cameron, se enganou ao convocar um referendo sobre a pertença à UE, que ele e muitos outros pensavam que ditaria a continuidade do Reino Unido na Europa comunitária. Ganhou o “brexit”, como é sabido e Cameron demitiu-se.

Entretanto, a vantagem dos Conservadores sobre os Trabalhistas nas sondagens reduziu-se dramaticamente. O antecipadamente derrotado J. Corbyn tem passado uma imagem de honestidade e simplicidade que lhe atraiu uma inesperada simpatia, sobretudo entre os jovens. Já Theresa May dá a impressão de ser hesitante e insegura – o semanário The Economist a certa altura chamou-lhe “Theresa May be (talvez)”. E, cinco dias depois do ataque terrorista na London Bridge, não ajuda May o facto de, nos seis anos em que foi ministra do Interior, ter reduzido os efectivos policiais. Nem o facto de os três terroristas da London Bridge haverem sido, antes, referenciados e um deles até preso.

Ganhar a eleição de hoje poderá para T. May significar perdê-la, como escreveu Philip Stephens, principal comentador político do Financial Times. Para este jornalista, uma maioria inferior a 50 lugares será um sério desapontamento para T. May. E se a maioria não chegar a 20 porá em causa a capacidade da primeira-ministra liderar a negociação do “brexit”. P. Stephens escreve que só uma maioria superior a 70 lugares será satisfatória para o futuro político imediato de Theresa May. Logo à noite, porventura tarde, saberemos.

Comentários
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  • Marco Visan
    08 jun, 2017 Lisboa 14:16
    Aquilo que chama de agenda socialista assaz antiquada serve para melhorar uma sociedade em decadência, muito fragilizada com a austeridade de Tony Blair, Gordon Brown, David Cameron e Theresa May. É caso para perguntar o que seria uma agenda socialista assaz moderna para Sarsfield Cabral? O seguimento das mesmas políticas, mais o estado policial defendido por Theresa May.
  • Pedro
    08 jun, 2017 Lisboa 13:38
    O senhor Sarsfield Cabral diz-se isento e imparcial para julgar os outros. No entanto, quando descreve as políticas defendidas pelo candidato Jeremy Corbyn como «uma agenda socialista assaz antiquada» acha isso imparcial? Acha que isso é uma boa maneira de equilibrar uma opinião? Não deve ser.
  • Justus
    08 jun, 2017 Espinho 11:49
    Democracias destas em que os eleitores mudam substancialmente de posição no espaço de meia dúzia de dias não são, para mim, verdadeiras democracias. São conglomerados de pessoas, facilmente manipuladas pelos "media", sem ideias e vontade própria. São estes, os meios de comunicação social, que ganham ou perdem as eleições, sendo o "zé povinho" um joguete nas suas mãos. Que mal fez T. May nestes últimos dias para, eventualmente, descer nas intenções de voto? Nada, absolutamente nada. Se não houvesse o ato terrorista alguém se lembraria que ela tinha sido ministra do interior e retirado das ruas 20 mil polícias? Poucos, certamente. No entanto, a sua atividade como ministra e como pessoa deveria ter sido bem escrutinada, analisada e apresentada ao público pelos ditos "media" que, neste e noutros casos, nada fazem. Nem lhes interessa porque só andam à procura do sensacionalismo e oportunismo. Os "media", salvo raras e honrosas exceções, são o cancro da nossa sociedade e também das democracias.
  • António Costa
    08 jun, 2017 Cacém 07:47
    Um individuo "atira" um camião em alta velocidade contra dezenas de peões....Existirem vinte e cinco mil policias ou trinta mil? A diferença é que entre os atropelados vão existir mais policias...O problema está no que se passa, "ANTES" do atentado e em permitir que nas mesquitas se pregue o ódio e a morte ao Ocidente! Os "terroristas" são operacionais! Só fazem o que lhes mandam! Apenas isso! As "armas" não "pensam"! Os "dirigentes" Ocidentais sabem muito bem "quem paga as contas" e quem "dá as ordens"! Na Tunísia podem-se encerrar mesquitas, mas na Inglaterra é se muito "tolerante" com quem "prega a Morte e o Terror"....só por que quem o faz tem centenas de milhares de milhões para o fazer. Hoje como "ontem" é o "dinheiro que manda"!