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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​O descrédito da justiça nos EUA

11 mai, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A demissão do director do FBI, agora, é uma vergonha para os EUA.

Onze dias antes da eleição presidencial americana de 8 de Novembro passado o director do Federal Bureau of Investigation (FBI) anunciou ir reabrir o inquérito aos e-mails recebidos e enviados por Hillary Clinton quando Secretária de Estado (equivalente a ministro dos Negócios Estrangeiros) no primeiro mandato de Obama, através de uma via privada, e não da via oficial.

Esta unidade de polícia, a mais importante dos EUA, já havia investigado a “gaffe” de H. Clinton, sem chegar a conclusões dramáticas para a candidata à presidência. Mas anunciar que o FBI iria reabrir o caso, nas vésperas da eleição, levantou novas suspeitas que prejudicaram a votação em H. Clinton e depois não se confirmaram. Ela própria reconheceu publicamente, há, dias que havia perdido as eleições por causa das interferências russas e do insólito anúncio do FBI, contra toda a tradição do organismo – que tem sido nada anunciar que possa influenciar as eleições dois meses antes delas se realizarem.

Na altura, Trump saudou efusivamente a iniciativa do director do FBI. Ora, na terça-feira passada, o agora presidente Trump demitiu esse mesmo director, alegando que… havia conduzido mal o processo dos e-mails de Hillary Clinton! É uma justificação inverosímil, até porque, como nota o New York Times, se Trump tivesse mudado de posição sobre o assunto, então teria demitido o director do FBI no início do seu mandato.

Obviamente, Trump afastou o director do FBI porque aquela polícia investigava as alegadas interferências russas no processo eleitoral, incluindo contactos entre apoiantes do presidente e entidades russas. É uma vergonha para a justiça americana.

Há quem recorde que Nixon, em Outubro de 1973, demitiu o procurador especial que investigava o Watergate, um escândalo que punha em causa o próprio Nixon. Em 1974 Nixon foi forçado a abandonar a Casa Branca. Mas agora não há procurador especial e a maioria republicana no Congresso procura abafar o problema das interferências russas. Com a louvável excepção do senador John McCain.

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  • João Galhardo
    11 mai, 2017 Lisboa 14:12
    Louvar John McCann é louvar o homem da guerra; o homem por detrás dos tambores de guerra; de Maidan, em Kiev; da campanha anti-russa que apela à NATO a usar a força e fazer treinos militares junto à fronteira russa. Louvar John McCain é louvar a guerra e não a paz. Por isso, Sr. Sarsfield Cabral não o congratulo por este artigo de opinião. Antes, o abomino.
  • António Costa
    11 mai, 2017 Cacém 08:30
    O FBI é formado por pessoas. J. Edgar Hoover "dirigiu" o FBI durante "muito tempo" no séc. XX. Serviu "só" 8 presidentes. Segundo este "génio" o crime organizado, "não existia". O segredo? Apenas "dossiers" e "chantagem" sobre personalidades importantes que J. Edgar Hoover usou para se "perpetuar" no cargo. Evidentemente que todos tentam "influenciar" as eleições americanas. Toda a gente tenta. Hillary Clinton recusou-se a condenar o "terrorismo islâmico" preferindo apenas o termo "terrorismo". Foi de graça? Ou quem lhe paga as contas da campanha, são só os mesmos que "patrocinam" o chamado "terrorismo islâmico"?
  • Miguel Botelho
    11 mai, 2017 Lisboa 08:27
    «Louvável excepção do senador John McCain»? Hillary Clinton não perdeu as eleições devido às inventadas interferências russas, nem tão pouco devido ao caso dos e.mails. Hillary perdeu porque era uma candidata fraca e porque não fez uma campanha presidencial à altura de Barack Obama. O caso de Nixon não é comparável a este caso, porque os cenários e as épocas são diferentes. Vir aqui louvar o senador John McCain, depois de todas as trapalhadas que este já cometeu tanto no congresso, como no senado, mostra verdadeira falta de raciocínio.