O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
|
Opinião de José Luís Ramos Pinheiro
A+ / A-

​Populismo: o melhor amigo do terrorismo

21 abr, 2017 • Opinião de José Luís Ramos Pinheiro


Entre o medo e a dignidade, os franceses estão a ser postos (duramente) à prova. O futuro da Europa também passa por eles, a partir deste domingo.

Imagine-se a França governada por Marine Le Pen. Paris isolada da Europa e a somar o Frexit ao Brexit. E a debitar medidas extraordinárias contra imigrantes, tendo por alvo, e por junto, o mundo muçulmano. Sem distinções nem preocupações de separar trigo do joio. Por causa de uma minoria, exercer violência sobre a maioria. Lidar com os pacíficos, como se fossem fanáticos. Indiferenciadamente, sem critério nem piedade.

Eis o cenário perfeito para todo o tipo de terrorismo. Semear o ódio aos quatro ventos. Juntar ao fanatismo perigoso de uma minoria, o sentimento de injustiça de uma enorme maioria.

Para os diferentes grupos terroristas, uma França assim (des)governada revelar-se-ia a sua melhor aliada.

E se for possível, já agora, desmantelar a União Europeia tanto melhor. A paz na Europa não serve os interesses do terrorismo.

Quem pretenda desestabilizar os países europeus, nada melhor do que suscitar a tomada de medidas que atinjam indiscriminadamente os milhões de muçulmanos que vivem pacificamente na Europa.

Com os seus defeitos e virtudes, aquilo que é hoje a União Europeia nasceu do desejo e da necessidade de paz, no rescaldo da II guerra mundial que teve o seu epicentro precisamente na Europa.

Ao longo das suas diferentes fases, a União Europeia enfrentou e venceu surtos terroristas. As brigadas vermelhas italianas, os baader-meinhof alemães, o terrorismo basco, o separatismo da Córsega constituem exemplos de violência que a cooperação e unidade dos países europeus ajudaram, em cada momento, a derrotar. Numa Europa dividida, a mortandade infligida por tais grupos teria sido ainda mais elevada. E o conflito irlandês e a guerra da Bósnia teriam tido, seguramente, expressões ainda mais gravosas.

Claro que a política externa europeia é frágil, até na área da Defesa, excessivamente dependente do chapéu-de-chuva norte-americano. Mas para combater o chamado terrorismo islâmico é necessário melhorar (e não eliminar) a Europa. E não basta a Europa: é indispensável uma cooperação internacional que extravase a União Europeia e que recolha aliados no próprio mundo islâmico.

O terrorismo internacional só pode ser derrotado numa ampla coligação mundial. Neste quadro, uma Europa dividida aumentará a probabilidade de sucesso de todo o tipo de conflitos e de operações terroristas.

Uma Europa enfraquecida fortalece nacionalismos, extremismos e fanatismos.

Objectivamente, o populismo (tenha ele a cor e a retórica que tiver) é o melhor aliado do terrorismo. E inversa também é verdadeira.

Quando, pela primeira vez, algumas sondagens apontavam para a eventualidade de Marine Le Pen não passar à segunda volta das eleições presidenciais francesas, o atentado terrorista de quinta-feira já teve como efeito a subida da candidata da Frente Nacional. Porque o medo é outro dos aliados queridos do terrorismo.

Entre o medo e a dignidade, os franceses estão a ser postos (duramente) à prova. O futuro da Europa também passa por eles, a partir deste domingo.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Francisca Basto
    01 mai, 2017 Cacém-Sintra 18:19
    Reforço a palavra do Senhor José Pinheiro o medo obriga-me ser inimiga de fanático terrorismo, parece que são doentes que desejam mal a vida de todos inocentes. A União europeia nasceu para criar a paz desejosa por todos. Por favor vamos procurar o rico que financia aos pobres para suicídio aos inocentes e aos protectores da população. confessem a população morrem sem explicação. Vamos ajudar os que governam o pais a localizar os terroristas.
  • Terrorismo
    23 abr, 2017 Portugal 10:13
    Ao recusarmos a condenar a ideologia que serve de Base ao "Terrorismo Islâmico", ao "Fingir-mos" que o Islão é "Só" mais uma "Religião", não estamos a combater o Terrorismo, estamos apenas a Semear Terrorismo.
  • Marco
    22 abr, 2017 Lisboa 20:34
    A França está a sofrer pela inépcia dos diferentes governos em relação á integração e educaçao das diferentes gerações de imigrantes e dissidentes permitindo estados hostis dentro do próprio estado não tendo tido a capacidade de impor limites.Também permissividade para além da tolerância das intolerâncias tornou insegura a vida dos franceses. Com cerca de 200 mortes em atentados e uma diminuição abrupta no turismo os franceses interrogam-se.Da interrogação passam á ação e o PS foi-se .Hollande nem teve a veleidade de se recandidatar e os eleitores hesitam de tal forma que o resultado das primárias é incerto.O estado de emergência está instalado e para durar,a França está em guerra de guerrilha moderna e tem que reagir como tal ou afunda-se como País.Comenta-se com ligeireza os medos dos outros mas se os atentados e os mortos fossem em Lisboa ou qualquer outra localidade e persistentes como seriam os comentarios? Quais seriam as reações?Promover rapidamente o crescimento económico a integração a educação e reforçar fortemente as medidas de segurança segurança são as únicas medidas para ultrapassar os controversos afundamentos dos valores europeus.
  • António Costa
    22 abr, 2017 Cacém 16:52
    Não seja tão modesto Horácio, pode multiplicar os 20 milhões por 4, que ainda peca por defeito. O Fascismo desgraçou a Europa. Foi responsável direto pela II Grande Guerra. O Problema, Horácio, é que os "radicais islâmicos" também são "Fascistas". Mas, para terminar, importa-se? " ... votar em algo bem pior não é a solução."
  • Horacio
    22 abr, 2017 Lisbon 15:23
    E triste ver gente a defender o fascismo. Uma ideologia que matou 20 milhões europeus . E gerou miséria em todos os países europeus. Até entendo o medo e a frustração que leva as pessoas aderem enganadas por demagogos nacionalistas . A crise econômica e o modelo econômico que a gerou tem de ser combatido.mas votar em algo bem pior não é a solução. Quanto a terrorismo vamos ao números . Os terroristas mataram 400 pessoas em França desde 1970 .tragico sim. Mas isto em 57 anos numa população de 66 milhões de pessoas . A verdade é que a grande maioria dos franceses jamais vão presenciar ou ser atingidos por uma atentado terrorista. Será mais fácil acertar na loteria . Infelizmente a média não quantifica e explica o verdadeiro perigo .prefer o sensacionalismo para vender mais. A grande maioria das cidades pequenas na França jamais seriam alvos .mas são as pessoas destas cidades que têm mais medo e votam em populistas . Na América foi a mesma coisa com Trump . O sonho dos fascistas é uma população mal informada economicamente frágil e com medo .so assim vencem . Os radicais islâmicos só tem uma arma .usar gente desiludida e mal informada para cometer crimes bárbaros e criar pânico .a capacidade deles está a diminuir ao ponto de depender de uns perdedores isolados .se ficar claro que suas barbaridades não o tem impacto desejado eles perdem ainda mais força. Mas se conseguirem influenciar eleições com ataques vão continuar.
  • Marco Almeida
    21 abr, 2017 Olhão 23:43
    Mas o que é que as brigadas vermelhas italianas, os baader-meinhof alemães, o terrorismo basco, o separatismo da Córsega têm a vêr com o terrorismo islamista? São coisas e ideologias totalmente diferentes, o Islão é a segunda maior religião do mundo, não têm como derrotar uma coisa assim, nunca na vida, infelizmente as cobras já nasceram na Europa e por cá vão continuando a fazer das suas
  • MASQUEGRACINHA
    21 abr, 2017 TERRADOMEIO 20:48
    Excelente análise.
  • António Costa
    21 abr, 2017 Cacém 20:34
    O problema é que se está a tratar a Religião Islâmica como se fosse uma Religião Cristã Protestante. Os Princípios do Islão nada tem a ver com os Princípios Cristãos. O Islão é o Islão, são regras para serem "vividas" no dia-a-dia. Não existem regras "más" e regras "boas". Exemplo: - Uma rapariga visita Marrocos. Nasceu em França e está ansiosa por ir ter com os pais....mas azar o Sol põe-se. E como o José Luís Ramos Pinheiro sabe as mulheres "sérias" não andam "sozinhas" na rua. E muito menos à noite! A rapariga ao chegar à rua onde vivem os pais é espancada pelos vizinhos. Vai parar ao hospital....Foi vitima de muçulmanos "moderados" ou de "radicais"? Onde está o "trigo" : cumprir as regras islâmicas a 50%? Dizer-se muçulmano, mandar "às urtigas as regras muçulmanas" e viver segundo as regras cristãs? É isso, que é ser "moderado"?