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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Uma campanha surpreendente

21 abr, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A campanha presidencial em França foi recheada de surpresas.

A campanha da primeira volta das eleições presidenciais em França, no próximo Domingo, trouxe alguns factos curiosos ou até insólitos.

A surpreendente subida do candidato Mélenchon, de extrema-esquerda, já na fase final da campanha, é um desses factos. A subida de Mélenchon foi devida, em boa parte, à descida do candidato oficial do partido socialista francês, Hammon, que até se situa à esquerda. O futuro próximo deste partido está, assim, ameaçado – como acontece com outros partidos sociais-democratas europeus.

Outro caso surpreendente é o de Fillon, candidato da direita conservadora. Fillon era considerado o provável oponente de Marine Le Pen numa segunda volta. Mas a sua imagem de pessoa séria e fiável ficou abalada por acusações de ter pago à mulher e a dois filhos dinheiro público por serviços de apoio ao seu cargo de deputado, serviços de cuja existência se duvida. Fillon disse que, caso fosse constituído arguido, abandonaria a corrida à presidência. Ora falhou a promessa: foi arguido e continuou candidato. Entretanto surgiram outras acusações de ter recebido presentes, como fatos de qualidade.

Fillon parecia liquidado politicamente, mas nas últimas semanas recuperou nas sondagens, não estando excluído que passe à segunda volta. Esta é a surpresa.

Os dois candidatos melhor colocados para disputarem a segunda volta, a 7 de Maio, são – aparentemente… - Marine Le Pen e E. Macron. Só que ainda é elevado o número de indecisos e de prováveis abstencionistas. Nada está garantido.

Se o centrista Macron ganhar a presidência enfrentará um problema: não tem partido para apoiar na Assembleia Nacional francesa as suas futuras decisões. Talvez venha a ter, pois haverá eleições legislativas em Junho. Mas é um tempo muito curto. Quanto a Le Pen, não houve surpresas; a sua eleição seria dramática para a França e para a integração europeia.

Comentários
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  • Justus
    21 abr, 2017 Espinho 21:25
    Quero ver o que S. Cabral vai escrever depois de se saber os resultados eleitorais no próximo domingo e verificar que, ao fim ao cabo, estava completamente enganado. Os escribas e outros fazedores de opinião são muito limitados, não sabem fazer análises sobre o comportamento eleitoral deste ou daquele povo e apenas relatam, ao retardador, aquilo que já está dito, redito, gasto, usado e abusado. Superficialidade, ideias feitas, frases ocas e distorcidas, nada se aproveita em textos que apenas repisam o que já sabemos. Será que estes escribas não pensam, nem têm ideias para expor e apenas sabem debitar, como autómatos, aquilo que outros já escreveram e disseram? É suposto que este espaço seja para publicar artigos de opinião e não relatar acontecimentos. Aquilo que se pode dizer deste texto, e de muitos outros que S. Cabral escreve, é que não dizem nada, são uma autêntica nulidade. E de nulidades os portugueses vão gostando cada vez menos.
  • MASQUEGRACINHA
    21 abr, 2017 TERRADOMEIO 16:53
    Fico feliz por ver que o Sr. S. Cabral ainda se consegue surpreender com estas coisas... Eu, embora bastante mais jovem, já me deixei invadir por maior dose de cinismo defensivo. Aquilo do Fillon, são os tais pecadilhos, de que o bom povo apoiante diz que, pois é, não é bonito, mas é o que fazem todos, portanto... E os "fatos de qualidade", note-se, não eram uns "fatos de qualidade" quaisquer : um parzito de fatiotas ficou em 48 mil €, oferta de um amigo. Devem ser de lã do famoso Tosão d'Ouro, as fatiotas, e o amigo deve ser daqueles mesmo para as ocasiões, o que, sendo raro, não é caso único. Quanto à Marine, também vou mantendo a capacidade de surpresa em banho-maria, não vá dar-se o facto mui pouco surpreendente de, sendo eleita, vir com a conhecida conversa do "Pensando melhor...", ou "Afinal a situação herdada...", e desatar a fazer, ou não fazer, coisas inesperadas. Aliás, depois de um indivíduo como Trump chegar à presidência de um país como os EUA, a minha capacidade de surpresa com a política demo-liberal de alto nível caiu para mínimos históricos - e já contando com a minha fase hippie. Vamos esperar para ver - claro que torcendo para que a Le Pen, disfarçada de Simplesmente Marine, leve uma tareia... eleitoral, eleitoral. Confiemos no discernimento dos franceses, e na óptima opinião que têm de si próprios como luminárias do mundo.
  • Carlos Porfírio
    21 abr, 2017 Parede 16:22
    Peço desculpa. Relativamente ao meu pedido de há pouco, esqueci-me de referir que se trata de uma afirmação do Bispo Dom Carlos Azevedo, acrescentando mesmo que "Nossa Senhora não vem aos trambolhões do Céu". Obrigado, Carlos Porfírio
  • Carlos Porfírio
    21 abr, 2017 Parede 16:12
    Não é propriamente um comentário ao artigo em questão, mas apenas quero aproveitar para pedir ao Dr. Francisco Sarsfield que nos desse a sua opinião sobre a afirmação absurda de que Nossa Senhora não apareceu em Fátima aos pastorinhos. Obrigado