O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
|
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

Erdogan e a UE

21 mar, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A Turquia dificilmente poderá prescindir da contrapartida financeira do acordo com a UE para reter refugiados.

O Presidente da Turquia, Erdogan, não cessa os seus insultos a países europeus que se opõem a que, nos seus territórios, ministros turcos façam campanha eleitoral. Campanha pelo sim no referendo de 16 de Abril, que dará plenos poderes ao Presidente.

Referindo-se à Alemanha, Erdogan classificou de “medidas nazis” essas proibições. E depois de uma manifestação de curdos em Frankfurt acusou a Europa de proteger terroristas.

Estes excessos verbais sugerem que Erdogan quer mesmo cortar com as democracias europeias. E a sua proposta de restabelecer a pena de morte na Turquia, eliminada há anos tendo em vista uma futura adesão à UE, porá definitivamente fim a essa adesão.

Erdogan tem um trunfo na mão: o acordo, firmado há um ano com a UE, para manter na Turquia os refugiados que querem atravessar o Mediterrâneo. Esse acordo reduziu de 50 mil para cerca de 4 mil por mês o número de refugiados partidos da Turquia em direcção à Grécia.

Cerca de três milhões de refugiados permanecem em solo turco – sendo que na Grécia ainda se mantém dezenas de milhares que a UE não conseguiu relocalizar.

Repetem-se as ameaças de Erdogan de cancelar esse acordo, o que teria efeitos catastróficos na Europa. Porque não o fez já? Porque a Turquia, cuja economia atravessa uma fase de crise, recebeu 3 mil milhões de euros da UE para reter os refugiados. E mais deverá receber, se o acordo não colapsar.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Justus
    21 mar, 2017 Espinho 19:27
    Como de costume Sarsfield Cabral apresenta-nos um texto fastidioso, repleto de frases mais que ditas e gastas, sem qualquer novidade. Para lermos aquilo que já lemos e ouvimos e nos foi dito há semanas e meses por variadíssimos meios de comunicação social é, na verdade, uma tarefa enfadonha. Para além do que Erdogan faz ou não faz, diz ou não diz sobre a Europa, o certo é que a Turquia nunca fará parte da UE e não é pela eventualidade de adotar a pena de morte. A UE já cresceu mais do que devia e podia, transformou-se agora numa manta de retalhos que cada país puxa para o seu lado, tentando cobrir-se o melhor que pode. A tendência é para ir saindo um ou outro, até que ali fiquem os países mais homogéneos, coesos e com maiores identidades e potencialidades. Uma grande UE, com países muito diversificados na língua, costumes e religião é impensável. Então a Turquia, com raízes ancestrais de cariz islámico e muçulmano, não tem qualquer hipótese de integração no ocidente. A geografia, que moldou os costumes, a religião e a vivência dos povos, é muito importante. Veja-se o que se passa na própria EU com os países do norte e do sul. A UE e a Turquia fazem o jogo do rato e do gato, andam sempre às voltas mas nunca se entenderão. A UE precisa da Turquia como tampão aos países árabes e a Turquia quer a UE para crescer económica e socialmente. Mas estes interesses colidem entre si e a desconfiança é mútua. O resto é conversa para se irem entretendo.
  • António Costa
    21 mar, 2017 Cacém 14:59
    Na sequência da queda do Império Otomano, no final da I Grande Guerra, no Séc. XX, algo devia ser feito. Apareceu um Homem pragmático e resoluto que decidiu "modernizar" a Turquia. Chamava-se Kemal Atatürk e sob a sua direção, as Leis do país "aproximaram-se" das Leis em vigor na Europa. A Turquia não "sofreu uma deriva Democrática". As Leis que eram vinculadas através das Mesquitas, passaram a ser as Leis do Governo e não as que o Imã pretendesse. Para o cidadão comum as regras "provenientes" da Mesquita eram para ser cumpridas, como sempre tinha sido. Não existiu nenhuma "aproximação" ao "campo democrático" ou à Democracia. Nos dias de hoje a Turquia, com Israel e Arábia Saudita, faz parte do "saco de gatos" que apoia o EI pela "porta do cavalo". E evidentemente este trio de "grandes amigos", aguarda apenas, cada um a sua oportunidade. Só o Medo ao Irão os mantém "unidos". Iremos ver se Erdogan será ou não bem sucedido na "restauração" da "Sublime Porta".
  • Miguel Botelho
    21 mar, 2017 Lisboa 08:06
    Falta esclarecer o acordo que Erdogan tem com os Estados Unidos da América. Estes ainda têm a base «Incirlik» em solo turco, pronto para qualquer iniciativa militar. Os turcos não se opõem ao uso desta base.