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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​O colapso do arrendamento

17 mar, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Com a queda do aluguer para habitação, Portugal tem um sério problema social.

A permanência, durante longos anos, das chamadas “rendas antigas” (anteriores a 1990), ao mesmo tempo que uma elevada inflação as desvalorizava cada vez mais, travou o aluguer de casas para habitação. A tendência acentuou-se, depois, com o euro. Vieram então as baixas taxas de juro dos empréstimos bancários e o excessivo entusiasmo dos bancos em aumentar o crédito à habitação; daí que seja grande a quantidade de prédios que a banca tem hoje em seu poder, por falta de pagamento dos respectivos juros e amortizações.

Na década de 1970 haveria em Portugal cerca de um milhão de habitações arrendadas; em 2011 já eram menos de 800 mil; agora serão apenas 470 mil. A reforma da lei do arrendamento de 2012 falhou. E a recente explosão do arrendamento local, aluguer temporário a turistas, tornou ainda mais longínqua a possibilidade de famílias portuguesas conseguirem arrendar casa para habitação, nomeadamente nas grandes cidades, como Lisboa e Porto.

Esta situação impede, na prática, que famílias de menores rendimentos tenham acesso a uma casa, pois os bancos – que entretanto se tornaram mais cautelosos – não lhes concedem crédito. E tudo indica que os juros, que nos últimos anos estiveram em níveis historicamente muito baixos (caso da Euribor, nomeadamente), irão subir daqui em diante; esta semana subiu o juro director da Federal Reserve, que tenciona voltar a subi-lo mais duas vezes neste ano. Juros altos representarão uma pesada carga para o futuro, a pesar em famílias de rendimentos médios que recorram ao crédito à habitação.

Acresce que, como disse esta semana Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, deixámos “degradar o parque habitacional dos bairros municipais e dos bairros sociais um pouco por todo o país”. A habitação para os menos afortunados é, facto, um sério problema de Portugal.
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  • Vera
    20 mar, 2017 Palmela 18:36
    Alex (como Astérix e só falta para além do X um L), se você prestasse mais atenção ao que o Sr. Francisco S. Cabral, escreveu, ele disse tudo! eu tiro o chapéu, a este Sr. por tudo aquilo que ele escreve! e não foi a Ministra Cristas, referida neste contexto! foi a Catarina Martins, pelo que disse: "deixámos degradar o parque habitacional dos bairros municipais e dos bairros sociais um pouco por todo o país”. A finalizar o texto, acrescentou: "A habitação para os menos afortunados é, facto, um sério problema de Portugal."
  • Alexandre
    17 mar, 2017 Lisboa 13:05
    Havia que explicar mais sobre o tema, Sr. Sarsfield Cabral e não entrar em rodeios. Por exemplo, existirá um plano para a habitação no país? Desde quando ficámos sem pasta ministerial para a habitação? Quando as imobiliária tomaram conta do mercado, desapareceram as rendas acessíveis. Porque não existe uma lei para regulamentar as rendas praticadas por estas imobiliárias? Os arrendatários perderam o combate contra os proprietários ricos, apoiados pelas grandes imobiliárias e os bancos. Não se percebem os ataques movidos pelo presidente da associação dos proprietários contra a classe dos arrendatários. Os senhorios foram muito ajudados na lei proposta e implementada por Assunção Cristas (que se esconde agora em promessas eleitorais). A situação só terá fim, quando Lisboa se tornar numa cidade fantasma.
  • André Souza
    17 mar, 2017 Alverca 11:43
    Chineses e angolanos compram tudo. Os portugueses terão de viver na periferia, pagar renda de casas sem condições, uns senhorios exploradores, outros a necessitarem de mais uns trocos para os medicamentos, tudo misturado em edifícios a precisarem de obras mas condomínios sem dinheiro. Em Alverca é ver os edifícios dos anos 60 a degradarem-se de tal forma e não ter a autarquia a obrigar a obras! Se o congelamento das rendas nos trouxe até aqui...vejam a exploração por exemplo em Olivais em T2 em edificios dos anos 70 com rendas de 650 euros!! enfim, tudo mal! Obrigado sr FSC por trazer este artigo de opinião
  • Ricardo MArtins
    17 mar, 2017 Lisboa 11:17
    A solução claro é a lei Cristas por os velhos com reformas de 200 ou 300€ a pagar rendas de 1000€ que génio o Dr. Cabral