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Opinião de João Ferreira do Amaral
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​Cenários europeus

03 mar, 2017 • Opinião de João Ferreira do Amaral


Passa a ser difícil aos governos impedirem um debate nacional sobre esta matéria que é fundamental para o futuro de cada um dos Estados-membros.

No passado dia 1 a Comissão Europeia apresentou um documento de reflexão sobre o futuro da União em que propõe cinco cenários possíveis, que vão desde uma espécie de status quo até ao federalismo puro e duro.

A própria apresentação de cenários tão contrastados (e logo cinco!) é bem um sintoma da enorme incerteza que hoje atravessa a União e também das profundas divisões que a atravessam, inclusivamente dentro da própria Comissão.

Em todo o caso, para além dos méritos que se encontrem (ou não) no documento - e reservo para uma leitura mais cuidadosa a minha própria opinião sobre ele – a sua existência é em si mesma positiva.

Com efeito, passa a ser difícil aos governos impedirem um debate nacional sobre esta matéria que é fundamental para o futuro de cada um dos Estados-membros. Isto é particularmente importante para Portugal onde no passado os governos tudo fizeram para evitar que os Portugueses debatessem o seu futuro europeu. Tomaram decisões que implicaram fortíssimas cedências de soberania sem que fossemos ouvidos nem achados sobre a matéria.

É impensável que o mesmo padrão se repita. Numa altura de tanta incerteza e de receio de futuro é imperativo que os órgãos de soberania tomem a iniciativa de promover um verdadeiro debate nacional que, entre outras coisas, permita chegar à definição de uma reserva de soberania que não podemos ceder.

Não, não há partilha de soberania. Quanto a soberania se partilha, perde-se. E sem soberania não há futuro para Portugal.

Comentários
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  • Eduardo Rocha
    29 mar, 2017 Lisboa 23:22
    Os portugueses basicamente não se preocupam com nada nem com ninguém desde que o Estado lhes garanta um subsídio ou um tacho parasita. Não se preocupam com a perda da independência nacional (com a consequente “promoção” a paus-mandados), nem com a degradação da indústria, da agricultura e das pescas, nem com a alienação de património. Em suma: quem prometer dinheiro fácil a um português consegue obter dele o que quiser, mesmo que isso implique a destruição paulatina do país. Se esta mentalidade parasita e comodista for substancialmente eliminada, ainda haverá lugar para a esperança. Caso contrário, a decadência vai continuar… até à ruína total!
  • 04 mar, 2017 Lisboa 10:07
    "fortíssimas cedências de soberania" !! Este senhor já se esqueceu o que era Portugal antes da CEE chegar. Viviam quase todos na miséria!!! Depois da entrada na CEE receberam todos casas novas, carros de luxo, ferias no Brasil, autoestradas para todo o lado. Isto tudo a custa da tal CEE e dos seu infinitos abonos e empréstimos a fundo perdido dos quais tantos abusaram e roubaram a descarada. No fim mostramos o que somos, ingratos, arrogantes e maus pagadores. Tenham vergonha na cara.
  • AB
    03 mar, 2017 Evors 20:47
    Que monte de tretas! Soberania é solvência. A todos os níveis. Ou tens dinheiro e podes dizer não, ou não tens e amochas se quiseres ter comida no prato. O resto é treta (de quem tem o prato cheio certamente).
  • Carlos Silva
    03 mar, 2017 Lisboa 19:27
    Há soberanias e soberanias. Se o BCE emprestar-nos dinheiro a juros baixos não é perda de soberania, mas se controlar o défice, a despesa pública, fazer reformas é perda de soberania então teremos uma soberania q. b. que dificilmente será aceite por quem nos empresta o dinheiro.
  • Lusitano
    03 mar, 2017 Lisboa 15:49
    As nações são como as pessoas. Cada nação é o reflexo do seu povo como um colectivo. Quanto melhores cidadãos formos melhor será o nosso país.Mas. o ser humano, para evoluir, tem que ser ou deve ser livre, totalmente soberano, para fazer opções em plena consciência... O mesmo para as nações. Não se acabam os problemas das nações europeias e da Europa se acabarmos com as soberanias europeias e juntarmos tudo arrasando culturas, costumes e tradições tão diferentes como as que existem na Europa. O homem, para crescer interiormente tem que se enfrentar a si próprio, os seus medos e receios, disciplinar-se e evoluir... As nações, a mesma coisa. Melhoram, evoluem em si próprias, donas de toda a sua soberania e destino e não ajoelhando perante uns tenebrosos e pantanosos poderes e interesses europeus que, valendo-se da fraqueza alheia, vão vergando os povos e impondo a sua doutrina. Só a eles serve a actual Europa! A nossa liberdade e dignidade vale mais que qualquer moeda! Há valores dos quais não se abdica! Teríamos que passar grandes dificuldades?... Não as passamos já? Ou vendemo-nos por 30 dinheiros? A honra ainda é um valor e que terá que ser recuperado, para nosso bem.Trabalhemos como povo e nação para sabermos ser independentes e dignos como exemplo. Como diz o ditado:" vale mais só que mal acompanhado". Só que é preciso coragem.... Temos essa coragem?
  • Juca
    03 mar, 2017 Povoa Sto. Adrião 15:40
    Completamente de acordo
  • ana
    03 mar, 2017 Amadora 13:14
    E no governo não eleito de Portugal e importante a opinião dos eleitores porque?..... Não me parece. Conversa para encher chouriço....
  • Lopes
    03 mar, 2017 lx 12:28
    Será que dessa soberania faz parte a recusa em permitir que o BCE nos compre dívida, ou seja, nos empreste dinheiro a juros baixos? É que sem o BCE, a nossa realidade será bastante dura e não há regresso ao escudo nem desvalorização cambial que nos valham.
  • J P C
    03 mar, 2017 Portugal 10:45
    E quando se ganha a soberania, em democracia, isolamo-nos do mundo para a exercer. Se quisermos abertura ao mundo, temos de abdicar da soberania. E se quisermos as duas coisas, soberania e abertura ao mundo, temos de deitar fora a democracia. As três ao mesmo tempo é que não se sustenta. São escolhas...
  • António Costa
    03 mar, 2017 Cacém 09:58
    "...um sintoma da enorme incerteza que hoje atravessa a União e também das profundas divisões..." mais palavras para quê? Quais os valores comuns? Unir-se à volta de quê? Enquanto a cobardia="politicamente correto" estiver em cima da mesa, não se vai a lado nenhum! Apenas o espevitar de medos e receios que algum "Napoleão pragmático" irá aproveitar. O problema é que são as Ideias Base que estiverem disponíveis, as Ideias que vão ser implementadas e decidir o futuro. Há muitos séculos "um pragmático" chamado Constantino implementou o Cristianismo, que na altura estava "disponível". Essa posição levou nada mais nada menos à criação da Civilização Ocidental, tal como hoje existe e para onde todos fogem. Mas parece que ninguém quer perceber a importância que o Cristianismo têm, mesmo nas "altas individualidades" da Igreja!