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Opinião de João Ferreira do Amaral
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União: lembraram-se agora?

20 jan, 2017 • Opinião de João Ferreira do Amaral


Vamos provavelmente enfrentar novas propostas de avanços em larga escala do centralismo e de aumento de poder do directório criado pelo Tratado de Lisboa.

Bastaram mais umas afirmações descabeladas de Trump sobre o Brexit e a Europa para os ministros dos negócios estrangeiros de Alemanha e da França se porem em bicos de pés e apelarem dramaticamente à união entre os estados europeus para responderem a Trump.

Tudo isto soa a falso.

Por um lado, toda a gente percebe que nunca haverá qualquer possibilidade de criar um ”inimigo americano” da União Europeia. A debilidade da capacidade de defesa da Europa, aumentada, ainda pelo Brexit, impede qualquer tomada de posição real contra os EUA. Mais: a existir essa tentação (totalmente absurda) por parte de países como a Alemanha ou a França seguir-se-ia imediatamente o fim da União quanto mais não fosse por saída dos países do leste do continente.

Por outro lado, todos sabemos também o que significam os apelos à união dos estados europeus. Significam nada mais do que a tentativa de anular o impacte das justíssimas críticas que se fazem ao modo de funcionamento da União em particular à sua centralização de poder em benefício da Alemanha.

Manter o status quo com o pretexto Trump e, se possível, aproveitar o Brexit para aprofundar o poder da Alemanha e do seu acólito menor, a França, sobre a União é a real intenção destes pouco convincentes apelos. Como aliás se tornará muto claro quando, dentro de pouco tempo, se conhecerem as propostas de mudanças da União que serão apresentadas a propósito da comemoração dos 60 anos do Tratado de Roma. Vamos provavelmente enfrentar novas propostas de avanços em larga escala do centralismo e de aumento de poder do directório (a um ou a um e meio, como se queira) criado pelo Tratado de Lisboa.

Porque se os apelos à união fossem sinceros então teríamos já hoje uma mudança drástica das políticas comunitárias entre outros nos domínios económicos e financeiros. O que – não tenhamos ilusões – não sucederá.

Comentários
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  • Pedro Ribas
    22 jan, 2017 Beja 13:41
    A. Silva, a Alemanha é um anão político e militar. Nada conta na cena mundial sem a UE. Se quer ter voz, que não mate a UE, que não dê aos outros europeus razão para estarem contra a UE. Você fala que a Alemanha nos manda dinheiro...quem mais LUCROU com o €? A Alemanha. Quem há anos se financia a juros negativos devido à razia que grassa no Sul da UE? A Alemanha. Quem contribui em larga escala para a dívida dos países do Sul da Europa subornando políticos e militares por forma a vender comboios, armas e a ganhar contratos para construir infra-estruturas? A ALEMANHA!!! Se gosta tanto dos alemães, emigre!
  • A. Silva
    20 jan, 2017 lx 19:00
    O centralismo só é bom quando é para mandar dinheiro. Exigir aos paises que mais contribuem para o orçamento da UE que não tenham nenhum tipo de controlo sobre os paises restantes, em especial os que têm dívidas elevadas, é e será sempre uma utopia. Obrigar a Alemanha e outros paises mais ricos a endividarem-se ou a retirarem dinheiro dos seus estados sociais para nos acudirem será sempre outra utopia.
  • couto machado
    20 jan, 2017 porto 15:05
    JÁ HÁ MUITO TEMPO QUE NÃO TINHA O PRAZER DE LER UM ARTIGO DE OPINIÃO DO PROFESSOR JOÃO FERREIRA DO AMARAL. ESTE, ESCRITO COM OBJECTIVIDADE E EQUILÍBRIO, MERECE UMA NOTA VINTE. PARABÉNS E "APAREÇA" SEMPRE.