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Opinião de Manuel Pinto
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​Como saber se uma notícia é falsa?

02 jan, 2017 • Opinião de Manuel Pinto


Uma efectiva literacia das notícias passa, em grande medida, por cultivar uma atitude interrogativa e crítica nos estudantes e uma progressiva compreensão das lógicas e condicionalismos dos media.

Num dos encontros desta quadra festiva, conversava-se sobre a “onda de notícias falsas” que invadiu as redes e media sociais. Uma adolescente que seguia a conversa, mas ouvia mais do que falava, fez, a dada altura a pergunta que ninguém se tinha ainda lembrado de fazer: “E nós como é que podemos saber se uma notícia é falsa?”.

Recentemente, o presidente Barack Obama observava, sobre este fenómeno: “Se não formos sérios sobre os factos e sobre o que é verdade e o que não é (…) então temos aí um problema. Se tudo for a mesma coisa e não se estabelecerem distinções, então não saberemos o que é de preservar e aquilo por que lutar”.

E temos, de facto, um problema quando, como nas recentes eleições norte-americanas, vemos notícias falsas suplantarem, em repercussão, as verdadeiras.

Há medidas que devem ser tomadas pelos próprios media. Mas nada garante, que essas medidas tenham o alcance necessário, porque se ficarão inevitavelmente pelo lado mais imediato e óbvio, deixando de parte as mentiras oficiais ou oficiosas, as meias-verdades e, não menos, importante, os silêncios interessados, quando não a censura despudorada. E isto está, por vezes, mais presente nos grandes media do que nos media sociais.

É (também) por isso que se torna crucial desenvolver iniciativas sistemáticas e abrangentes que respondam à pergunta do adolescente que, sem querer, motivou este texto: “E nós como é que podemos saber se uma notícia é falsa?”

Algumas respostas decorrem de perguntas básicas ou mais exigentes: Quais são as fontes da informação? Quem a assina? Há peritos ou especialistas que comentam ou opinam? Quem são? A notícia é dada por outros media ou é um exclusivo? Neste caso, são prestados esclarecimentos sobre os processos de obtenção ou investigação do caso? Quem é beneficiado e quem é prejudicado pela matéria publicada?

Relativamente ao meio que veiculou a matéria: trata-se de um meio profissional, de créditos reconhecidos? Existe uma página sobre “quem somos” e/ou com contactos? O endereço da página parece confiável? Uma pesquisa sobre o título da publicação ajuda a esclarecer dúvidas?

Uma efectiva literacia das notícias passa, em grande medida, por cultivar uma atitude interrogativa e crítica nos estudantes e uma progressiva compreensão das lógicas e condicionalismos dos media. Um caminho destes permite detectar corrupção no jornalismo, mas também valorizar a qualidade e o trabalho dos verdadeiros profissionais.

Comentários
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  • Valdemar J.Rodrigues
    02 jan, 2017 Sintra 14:13
    A questão está mal colocada, pois não é a notícia em si que é falsa ou verdadeira, mas sim os factos que ela narra ou as coisas que eça diz terem acontecido. A notícia é sempre verdadeira neste sentido, e o que há que saber é porque razão ela chega e não outra, e desta maneira e não de outra. A pergunta deve ser sobre o significado da notícia. Desculpe, mas assim é que não vamos lá. Há que pensar mais antes de escrever.
  • Frederico
    02 jan, 2017 Lx 12:31
    Só pelo comantário já aqui deixado vemos um exemplo de quem nao tem a capacidade de discernir o verdadeiro do falso. O mais importante para permitir que uma noticia seja tida como verdadeira ou falsa é a cultura geral, espírito crítico e capacidade de inter relacionar os factos de cada um.
  • Borda d'Agua
    02 jan, 2017 Lisboa 10:05
    Apesar de a referência ao Obama não ser feliz, pelo que julgo ser um forte promotor justamente deste tipo de notícias ("vêm aí os russos") saúdo o cronista pela atitude saudável de questionar como, quem, porquê, e a quem beneficiam. Pela parte que me toca, tento construir a minha opinião pela consulta de -todas- as referências. É um exercício que se recomenda e só por si revela importantes diferenças no conteúdo, e na apreciação. E só então me atrevo a pensar estar mais próximo dos factos. A triste constatação é que existem muitos jornaleiros, e poucos jornalistas, e que existe uma forte contaminação das próprias fontes, institucionais, publicações com responsabilidades históricas e antes insuspeitas, e que agora se revelam não poucas vezes tendenciosas, manipulativas ou mesmo falsas. Ao autor, saúdo a sua apreciação.