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Opinião de João Ferreira do Amaral
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​Um 2017 movediço

23 dez, 2016 • Opinião de João Ferreira do Amaral


A incerteza não vem da economia em si própria, nem sequer da política nacional. Vem fundamentalmente das grandes questões políticas mundiais.

Todos nós falamos – e é uma evidência – que um dos grandes problemas que hoje afecta a nossa economia (e as outras!) é o da incerteza. Mas a incerteza não vem da economia em si própria, nem sequer da política nacional. Vem fundamentalmente das grandes questões políticas mundiais.

Não podemos sequer antever, neste momento, o que irão ser as consequências da eleição de Trump. Alterar-se-ão as condições de liberdade de comércio a nível intercontinental? Será expectável um aumento significativo do preço do petróleo? Poderão as taxas de juro na América vir a crescer para compensar um eventual aumento do défice das finanças públicas americanas?

Mas a incerteza campeia também a nível da Europa. Que tipo de acordo é que se irá estabelecer entre a União Europeia e o Reino Unido para regular o pós-Brexit? Que desafios é que vão pôr as dificuldades do sistema financeiro italiano e como reagirá o novo governo? Como conseguirá a União Europeia continuar a enfrentar a crise dos refugiados quando, em diversos países, ganham peso de forma acelerada os partidos xenófobos? Como é que a União irá encontrar a energia necessária para corrigir as suas crescentes disfuncionalidades, revertendo drasticamente o absurdo centralismo que vem adquirindo desde há uma década? Qual a atitude dos estados da Zona Euro face às contínuas dificuldades da Grécia? Manter-se-à e até quando a política do Banco Central Europeu?

Poderíamos multiplicar as questões, incluindo nelas outras zonas do globo.

Mas estas são suficientes para recordar que em 2017 nos vamos mover num cenário de grande incerteza e complexidade e que convém por isso olhar bem para o terreno antes de darmos os passos que escolhermos dar.

Comentários
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  • Carlos
    28 dez, 2016 Lx 14:37
    Enfim, o mundo está uma desgraça para os euro cépticos. Mas o mundo foi sempre assim, imprevisível. A angústia pelo futuro resulta de levarmos muito a sério as nossas convicções, estar abertos às convicções dos outros, ajuda.
  • MASQUEGRACINHA
    24 dez, 2016 TERRADOMEIO 19:39
    Pois é, está tudo cada vez mais incerto e complexo, muito ao estilo do "País das Maravilhas": uma salgalhada de coelhos apressados pouco produtivos, chapeleiros loucos que dão lindas receções às visitas, gatos cínicos intermitentes, flamingos de pernas para o ar a fazer andar o jogo, sábias lagartas cool, rainhas histéricas a berrar "cortem-lhes a cabeça!", poções mágicas que tanto encolhem como esticam... A Economia Pragmática e os algoritmos de trading cuidarão de manter os fluxos monetários a escorrer para os afluentes do costume, e só cairão os bancos que tenham duas pernas, que as outras duas já estarão a escorar outro banco qualquer, também periclitante, e assim sucessivamente. "Olhar bem para o terreno antes de darmos os passos que escolhermos dar" parece coisa que o Gato intermitente diria, dada a incerteza descrita, por um lado, e, por outro, as certezas das "estratégias" económicas, concretamente aquelas impostas pela UE, que tolhem qualquer veleidade de desenvolvimento eficiente. O que não acontece por acaso, ainda menos por estupidez: acontece por ser útil a alguns países e empresas, uma utilidade egoísta e de vistas curtas que poderá revelar-se catastrófica. A história levou e tarda a substituir ideologia política séria, que a mesma história nos ensina ter tido sempre génese em revoluções e guerras brutais - e temo que um novo ciclo já se tenha iniciado. O Trump já brinca com o fogo nuclear, a China já franze o sobrolho. Nós? Esperamos para ver.
  • António Costa
    23 dez, 2016 Cacém 23:42
    É o que se chama uma grande salada russa de incertezas. E o melhor é que é uma salada "autêntica" com "russos autênticos" e tudo. Mas temos "pistas muito fortes", não é verdade? Quem são as pessoas mais "próximas e influentes" de Donald Trump? Assim ficou mais fácil? Se calhar a Síria e a Ucrânia vão levar uma "grande volta" para o ano e o que é "impensável" nos dias de hoje pode ser o "amanhã".