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Opinião de José Luís Ramos Pinheiro
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​Em nome da transparência

12 dez, 2016 • Opinião de José Luís Ramos Pinheiro


O almirante Luís Fragoso nunca escondeu a sua condição de católico. Gostava de ter a certeza de que o factor religioso não contribuiu para a sua substituição.

A Marinha portuguesa tem desde sábado um novo Chefe de Estado-Maior. O Governo decidiu e o Presidente da República aceitou não renovar – porque era renovável – o mandato do Almirante Luís Fragoso.

As razões para a substituição do almirante Fragoso estão por explicar. E, tanto quanto se sabe, a decisão foi tomada - ou comunicada – sem explicações, em cima do final do mandato do antigo chefe de Estado-Maior da Armada. Isto é, sem o enquadramento e a preparação que as alterações na chefia de um ramo militar sempre requerem.

Com uma folha de serviços inatacável, o almirante Fragoso exerceu também as suas funções com enorme dignidade. Do primeiro ao último dia, mesmo quando confrontado com a inesperada substituição.

Para chefe de Estado-Maior da Armada, como para muitos outros cargos e funções, os governos encontrarão sempre um razoável leque de possibilidades. Pessoas com mérito, independentemente de convicções ideológicas, políticas, culturais ou religiosas.

Acontece que o almirante Luís Fragoso nunca escondeu ou disfarçou a sua condição de católico. Tal condição não deve implicar escolhas nem afastamentos. Mas por uma questão de transparência e na falta de outras explicações, gostava de ter a certeza de que o factor religioso não contribuiu para a sua substituição.

Comentários
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  • CF
    13 dez, 2016 Beja 12:15
    Não será por causa da confissão religiosa que a mudança se fez, mas por via de uma clarificação administrativo-militar que muitos e há muito forçavam e agora foi-lhes satisfeito esse tão louvável como questionável desígnio. Mas será, mudando as pessoas e desta forma que se promovem as efetivas mudanças nas estruturas do estado? Responda quem pode ou sabe.
  • MASQUEGRACINHA
    12 dez, 2016 TERRADOMEIO 13:56
    Estou, sinceramente, abismada: nunca me passaria pela cabeça, nem nestes tempos fecundos de teorias da conspiração pós-verdadeiras, que alguém se visse afastado de um cargo por causa da sua "condição de católico"!!! Se, por exemplo, fosse ocupar o cargo por causa da sua "condição de maçon", ou recusado para o cargo por causa da sua "condição de muçulmano", ainda a coisa, enfim, se entendia. Agora por causa da sua "condição de católico"?!! Mas, levantada a lebre, cumpre farejá-la. Se calhar, é obrigatório ser ateu, ou no mínimo agnóstico, para o bom desempenho do tal cargo. Ou será que a sua "condição de católico", nunca escondida nem disfarçada, era demasiado evidente? Não vejo como, mas, sei lá, impunha catequeses obrigatórias ao toque de alvorada, ou a leitura de textos pios à hora do rancho, ou a limpeza de latrinas a quem não comprovasse ter ido à missa dominical? Não existirão outras melhores ou piores razões para a dita substituição (aliás, efetuada de forma no mínimo incivil)? Se a simples "condição de católico", que já foi boa referência e amplamente usada, passasse a ser defeito, bem podia metade do país ir pondo as barbas de molho, como se costuma dizer. Ná, não me parece que se aproxime uma nova era de perseguições e martírio à "condição de católico", se era aí que o articulista pretendia chegar. Foi substituído, como tantos outros, não por mérito ou demérito, ainda menos por "condição", mas por mera conveniência conjuntural: é a política, senhores.