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Opinião de José Luís Ramos Pinheiro
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Justamente favorito

20 set, 2016 • Opinião de José Luís Ramos Pinheiro


Se o resultado final é incerto, o caminho (muito mais do que uma carreira) de António Guterres é inquestionável. Esse caminho e as suas indiscutíveis qualidades trouxeram-no até aqui.

Há uns anos atrás (vendo bem, há duas décadas ou mais…), lembro-me de António Guterres referir que, no futuro, gostaria de se dedicar à área internacional, onde pudesse fazer a diferença, sobretudo em defesa dos mais pobres.

Na altura, Guterres era um político profissional, mergulhado nas tradicionais disputas de poder da vida partidária. Um projecto internacional desta natureza parecia não passar de um sonho, tão politicamente correcto quanto longínquo e impraticável.

Mais de vinte anos depois, António Guterres surge melhor colocado do que ninguém para ser o próximo secretário-geral das Nações Unidas. O mundo não está fácil, mas o desafio é, por isso mesmo, ainda mais apaixonante. Para trás, ficaram dez anos como Alto-Comissário para os Refugiados. E lá mais atrás ficou também o trabalho em bairros difíceis da Grande Lisboa - empenho social enquanto jovem, mas também ao deixar o cargo de primeiro-ministro, quando, logo a seguir, deu aulas a jovens carenciados.

Neste momento, fala-se em manobras de última hora para substituir António Guterres como o mais favorito dos candidatos a secretário-geral das Nações Unidas. Não é claro o que se pode passar ainda nas próximas votações. E o papel dos membros permanentes do Conselho de Segurança continua a ser determinante, até pelo poder de veto que esses países conservam.

Mas se o resultado final é incerto, o caminho (muito mais do que uma carreira) de António Guterres é inquestionável. Esse caminho e as suas indiscutíveis qualidades trouxeram-no até aqui. Se o factor pessoal não for apagado pelas manobras políticas, António Guterres deverá ser eleito secretário-geral das Nações Unidas. Um resultado prestigiante para Portugal, mas sobretudo justo, para António Guterres.

Comentários
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  • as
    23 set, 2016 s 00:26
    Até agora ninguém se interessou em comentar este assunto. E muito bem fizeram. A nomeação para a ONU assemelha-se a uma novela da TVI, nunca mais acaba. Já nem posso ouvir falar em Guterres. Qualquer dia ainda vomito...