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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Eutanásia e homicídio

18 abr, 2016 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O número de casos de eutanásia tem aumentado em todos os países que a despenalizaram. Mas “o pedido explícito de eutanásia é cada vez menos respeitado”.

Entre 20 e 30% dos casos de eutanásia na Bélgica e Holanda, onde ela é legal, são “casos de homicídio”, denunciou o Prof. Walter Osswald num debate na Universidade do Porto, como a Renascença noticiou. Grande parte das pessoas que morrem por eutanásia nesses países não a pediu: são mortas por decisão de familiares (incluindo filhos), de médicos e de enfermeiros.

Outro alerta para a legalização da eutanásia foi publicado no "Observador" pela médica oncologista Maria Margarida Teixeira. Com base num relatório do Centro de Bioética de Anscombe (Oxford) diz ela que o número de casos de eutanásia tem aumentado em todos os países que a despenalizaram. Mas “o pedido explícito de eutanásia é cada vez menos respeitado”.

A Drª. M. M. Teixeira acrescenta que em 70% dos casos os médicos apressaram a morte porque os doentes tinham “má qualidade de vida”. Na Bélgica e Holanda os médicos matam intencionalmente bebés com deficiências graves. E por aí fora.

Não parece que no debate em Portugal sobre a eutanásia esteja a ser devidamente ponderado o risco de a sociedade se desfazer de pessoas “descartáveis”. Regresso à barbárie nazi?

Comentários
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  • João Lopes
    18 abr, 2016 Viseu 21:29
    Excelente artigo de FSC. Há umas palavras de João Paulo II, que fazem parte do Património Cultural da Humanidade: «Reivindicar o direito ao aborto, ao infanticídio, à eutanásia, e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade».
  • Bento Fidalgo
    18 abr, 2016 Agualva 12:52
    Crescemos a ser educados e defendidos do sofrimento. Isto é um tema muito delicado e melindroso. Quando uma criança nasce deficiente, ou seja, sabemos antes de nascer que ela não vai ter uma vida normal, pensamos no nosso conceito, ou consciência, ou no que ela vai sofrer ou sentir anos e anos ao tomar consciência do que não pode usufruir?; É como ser posto num deserto, vendo os outros beber e não poder matar a sede. É verdade que hoje se pode aliviar a dor mas, quem é nazi? Quem pára o sofrimento ou quem o alimenta e lhe dá continuidade? Só o desconhecimento da evolução, possível cura, dará razão a quem é contra a eutanásia. Eu, por mim, modestamente, não consigo tomar posição.
  • Miguel Madeira
    18 abr, 2016 Portimão 10:22
    Esses números referem-se só à eutanásia ativa (aquilo que está a ser discutido atualmente - fazer qualquer coisa para apressar a morte) ou incluem também a eutanásia passiva (deixar de fazer coisas para impedir a morte - o que mesmo em Portugal atualmente já pode ser feito por decisão de familiares)? Pergunto isto porque quanto tento descobir a fonte para as tais alegações que grande parte dos casos de eutanásia na Holanda são involuntários (alegações normalmente feitas por não-holandeses: o tal professor Walter Osswald, p.ex., apesar do nome, é um luso-alemão), a única referencia que encontro é um estudo feito nos anos 90 (ainda antes da eutanásia ativa ser legalizada), referindo-se claramente à eutanásia passiva. De qualquer forma, na eutanásia ativa, a lei holandesa só a permite a pedido do doente (http://www.eutanasia.ws/documentos/Leyes/Internacional/Holanda%20Ley%202002.pdf) portanto ser contra isso argumentando que há casos em que é feita sem ser a pedido do doente, é como ser contra a legalidade do sexo consensual argumentando que há violações, ou contra a legalidade de dar esmola porque há roubos.
  • António Costa
    18 abr, 2016 Cacém 07:11
    Espero que a "cultura da morte" ou a cultura da falta de respeito pela vida não se resuma só à condenação da Eutanásia. De fato com as posições "politicamente corretas" de ficar bem na foto, defende-se muito o Multiculturalismo. Só que existem culturas que não passam de "culturas da morte". Uma coisa é defendermos a diversidade cultural, outra é defendermos a morte de pessoas "descartáveis" que é uma noção muito alargada. São desde aqueles que não podem votar, aos que pensam de modo diferente do nosso ou tem uma religião diferente.