Opinião de José Luís Ramos Pinheiro
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Opinião

​O discurso da vitória, as reacções e (algumas) indigestões

25 jan, 2016 • Opinião de José Luís Ramos Pinheiro


Se Marcelo foi exemplar a ganhar, os outros candidatos também souberam perder.

O discurso do Presidente da República eleito valeu a noite eleitoral. Pelos gestos (sem triunfalismos que a vitória em todos os distritos poderia induzir) e pelas palavras (o país à frente de tudo e de todos) Marcelo Rebelo de Sousa soube justificar a vitória nestas eleições presidenciais.

O novo Presidente mostrou visão e lançou desafios para Portugal e para si próprio: Pôr o país à frente das quezílias e das feridas de ocasião; explicar a vantagem da unidade nacional, até para a promoção da coesão social, em defesa dos mais pobres; lembrar que o crescimento económico e a criação de emprego devem harmonizar-se com o rigor financeiro pelo qual tantos portugueses se sacrificaram; e retomar a necessidade de grandes convergências na sociedade portuguesa, desagravando tensões e reduzindo radicalismos.

Na linha do que o candidato já dissera no lançamento da sua candidatura, este discurso do novo Presidente foi inclusivo e mobilizador; desenhado para o futuro, mas virado para o país; e concluído com o hino nacional.

Se Marcelo foi exemplar a ganhar, os outros candidatos também souberam perder. É o caso de Sampaio da Nóvoa pelo modo como reconheceu a derrota, saudou o Presidente eleito e desmobilizou apoiantes, para quaisquer aventuras na sequência do resultado eleitoral agora registado.

E se houve derrotas amargas - como as de Maria de Belém e, sobretudo, de Edgar Silva - também há outros resultados a destacar, como o sucesso do ‘candidato protesto’, de Rans - Vitorino Silva - mas especialmente a consistência da votação da candidata Marisa Matias.

No plano partidário, há-de seguir-se um debate aceso no PS. Os apoiantes de Maria de Belém não poupam críticas à estratégia eleitoral socialista, pulverizada em duas candidaturas: a da antiga ministra e a de Sampaio da Nóvoa. Mas se a estratégia não provou, os dois candidatos também falharam: nenhum deles mostrou condições para derrotar Marcelo.

Conjugar a clamorosa derrota de Edgar Silva com mais um sucesso eleitoral do Bloco suscitará no PCP uma digestão ainda mais difícil, como as palavras de Jerónimo de Sousa já deixaram perceber. Edgar Silva, esforçado no terreno, acaba esta eleição a contar votos para não ser ultrapassado pelo candidato de Rans.

O radicalismo costuma ser uma das respostas para insucessos desta natureza. Se os comunistas forem por aí e subirem a fasquia das exigências a apresentar ao Governo, de modo a recuperarem a postura de combate que a proximidade ao executivo lhes pode retirar, eis uma má notícia para o primeiro-ministro e também para o país.

Já para António Costa a eleição do seu antigo professor não é, em si, uma má notícia. O chefe do Governo sabe que embora apoiado por PSD e CDS, não será agora que Marcelo Rebelo de Sousa abdicará da sua reconhecida independência. E um Presidente independente defende mais os primeiros-ministros, do que o experimentalismo presidencial de alguém que tivesse chegado a Belém, sem experiência nem traquejo político.

Comentários
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  • Manuel Peñascoso
    25 jan, 2016 Fátima 22:17
    Os bloquistas não passam de comunistas de esrirpe já há muito extinta!
  • Jorge
    25 jan, 2016 Lisboa 09:32
    Rãs??? O que é isto?????? Pobre país!!!!
  • Belmiro Sousa
    25 jan, 2016 Penafiel 09:25
    RANS e não Rãs Obrigado