Opinião de Luís António Santos
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O ruído dos média na campanha

07 out, 2015 • Opinião de Luís António Santos


Foram os responsáveis editoriais das várias empresas que temos - muitas delas em situação financeira delicada - que escolheram ter sondagens todos os dias (e seria tão interessante saber quanto custaram) e foram esses mesmos responsáveis que escolheram fazer delas o eixo da sua atividade diária.

Terminada a campanha eleitoral talvez seja importante pensarmos na forma como a generalidade dos média nacionais escolheu informar-nos. E fazer um apelo a um exercício de prestação de contas que tradicionalmente fica por fazer.

Porquê falar em prestação de contas? Porque tão importante como o que escolhemos destacar é aquilo que escolhemos deixar de lado; porque são decisivas as palavras que escolhemos para caracterizar alguém ou alguma situação e porque ajudamos a ‘normalizar’ imagens, ideias, comportamentos de forma ainda mais acutilante nestes momentos de redobrada atenção dos cidadãos.

O que tivemos, então? Tivemos uma agenda editorial deliberadamente dominada por sondagens de solidez metodológica frágil e apoiada, em grande medida, em comentário político... feito por políticos ou por ex-políticos.

Foram os responsáveis editoriais das várias empresas que temos - muitas delas em situação financeira delicada - que escolheram ter sondagens todos os dias (e seria tão interessante saber quanto custaram) e foram esses mesmos responsáveis que escolheram fazer delas o eixo da sua atividade diária. Foram os mesmos que escolheram, num momento em que faria sentido ouvir uma maior pluralidade de vozes, concentrar o comentário em ‘profissionais’, muito mais sintonizados com as estratégias das forças que apoiam do que com o esclarecimento das audiências.

Escolheram, assim, as empresas, inundar-nos de ruído em vez de cumprirem a tarefa que emerge do contrato implícito que com elas temos – a de seleccionar e interpretar o que é relevante num momento já de si tumultuoso; a de pausar o frenesim com silêncios que explicam e ajudam a esclarecer.

Haverá quem argumente que esta postura generalizada dos média - a de agentes tendencialmente passivos/colaboradores num ambiente de feroz competitividade entre estratégias de propaganda política - não é novidade em Portugal nem sequer é uma particularidade nossa. É, em qualquer caso, menos do que aquilo a que temos direito.

PS. O mal das generalidades é que são obrigatoriamente injustas. E seria injusto ter neste pacote sombrio o trabalho online da RR (‘O dia em 100 segundos’ e as reportagens no país que a campanha não visitou são trabalhos brilhantes) ou a ‘tenda de campanha’ da TSF.


Comentários
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  • Joao
    08 out, 2015 Porto 06:35
    Sim, é verdade. O ruído é muito ... As opiniões muito subjectivas ... Má informação !!! ...
  • Firmino
    07 out, 2015 Porto 17:18
    Concordo inteiramente- Parabéns! Raramente se observa uma pedrada no charco como esta.