Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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22 ago, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O governo tem que dar no próximo ano alguns “rebuçados eleitorais” aos portugueses, tendo na mira uma maioria absoluta.

Será eleitoralista a proposta de Orçamento para 2019? Tudo indica que sim, a começar pelas pressões dos dois partidos de extrema-esquerda, PCP e BE, que apoiam no Parlamento o governo socialista. Mas as contas públicas do próximo ano não irão violar as metas acordadas com Bruxelas.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, agora também presidente do Eurogrupo (conjunto dos ministros das Finanças da zona euro), não poderá permitir tal coisa. Ele, hoje (não no passado, quando não era ministro), é um defensor da ortodoxia financeira de Bruxelas. E Centeno é o principal responsável pela redução do défice orçamental português.

Como é que a coisa se resolve? Nada de novo: cortando (ou cativando) despesa do Estado. Esta austeridade disfarçada teve e terá custos. Os serviços públicos degradam-se. Os comboios e a via férrea estão a rebentar de podres – apesar da surrealista declaração do Secretário de Estado do sector, segundo a qual tudo ou quase tudo corre normalmente nos caminhos de ferro portugueses. A crise do Serviço Nacional de Saúde agrava-se. As forças militares e de segurança não conseguem ter os efetivos necessários ao cumprimento das suas missões, o investimento público é insuficiente, etc.

É uma forma de austeridade, diferente da que cortava salários e pensões, mas que não deixa de penalizar muita gente. Só que o seu efeito é politicamente mais difuso. E permite ao governo dar no próximo ano alguns “rebuçados eleitorais” aos portugueses, tendo na mira uma maioria absoluta.

Comentários
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  • Cidadao
    22 ago, 2018 Lisboa 11:02
    Não haverá qualquer Maioria Absoluta. O Sorridente-com-jogo-de-cintura, entalou-se quando aldrabou os Professores, quando prometeu uma carreira especial aos Enfermeiros especialistas, quando levantou expectativas e no fim vem a ver-se que mentiu a toda a gente. Tem um País a cair aos bocados, com Serviços Públicos na agonia e algumas das classes profissionais mais numerosas e poderosas, contra ele. Bem pode tentar fugas para a frente e mudar de assunto a falar no que já fez e culpabilizar o governo PAF, que todos vêem que se anda a portar como ele, e após 3 anos no Poder, assacar culpas aos que lá estiveram antes, está a deixar de colar.
  • José Adelino Brites
    22 ago, 2018 10:42
    Sou seu leitor assíduo porque aprecio as suas análises aos mais diversos temas. Será possível dar-nos a sua opinião sobre a actual política de poupança no nosso país e, em particular, para o pequeno aforrador? Muito obrigado.