Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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O desastre de Génova e o euro

17 ago, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Salvini aproveitou a tragédia para dar a entender que deixaria de seguir as metas de Bruxelas. Ora tal, a concretizar-se, provocará uma perigosa crise no euro, à qual Portugal não ficará alheio.

O trágico desastre da queda da ponte em Génova parece nada ter a ver com a responsabilidade de fiscalização do Estado italiano, que endossa todas as culpas para a concessionária. Recorde-se que, quando caiu a ponte de Entre-os-Rios, em 2001, se demitiu imediatamente o ministro Jorge Coelho.

O desastre de Génova é incómodo para os partidos agora no poder em Roma, para além de eventuais falhas na vigilância estatal. Primeiro, porque este não é um desastre natural, mas consequência de erro humano. Erro que ocorreu no Norte de Itália, que o líder da Liga, Salvini e verdadeiro patrão do governo, queria separar do Sul do país, considerado subdesenvolvido e corrupto (até há pouco o partido chamava-se Liga do Norte).

Depois, porque o outro partido da coligação governamental, o 5 Estrelas, apoiou recentemente aquela ponte, através de um órgão regional.

Mas há pior. Salvini aproveitou a tragédia para criticar os limites orçamentais que as regras do euro e a UE impõem a Itália, dando a entender que deixaria de seguir as metas de Bruxelas.

Ora tal, a concretizar-se, provocará uma perigosa crise no euro. Pela sua dimensão, a economia italiana não é suscetível de um resgate, como foram a Grécia, a Irlanda e Portugal. E a dívida pública italiana é muto superior à portuguesa.

Numa altura em que a moeda turca provoca prejuízos sérios em bancos europeus, sobretudo em Espanha, o ambiente nos mercados financeiros é de nervosismo. Portugal foi na quarta-feira ao mercado para obter crédito de curto prazo e pagou taxas de juro negativas – as mais baixas de sempre. É um bom sinal, mas não nos coloca ao abrigo de uma séria crise da moeda única.


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  • Incrédulo
    18 ago, 2018 Portugal 10:35
    Há uns anos, na sequência de um terrível sismo em Itália foram presos...cientistas. Segundo o veredicto do tribunal os ditos cientistas eram culpados por não terem avisado a tempo as populações da eminência do sismo. No Japão, existe uma zona cheia de sensores e dispositivos eletrônicos. Os abalos sismicos são aí muito frequentes. Mesmo assim os avisos são dados com pouco mais que um par de horas. Na Itália parece que se regressou ao tempo da Inquisição. Perseguir e prender quem procura saber o que se passa. E proteger as "máfias" locais responsáveis por todo o tipo de crimes.