Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​As absurdas sanções dos EUA ao Irão

08 ago, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


As sanções travam qualquer evolução liberalizante no Irão e adensam o clima negativo da guerra comercial.

Os EUA tornaram efetivas as primeiras sanções ao Irão. Trump considerou “horrível” o acordo sobre o nuclear celebrado em 2015 pelo Irão e seis países (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha). Diz que os iranianos prosseguem o seu programa nuclear, que prometeram congelar até 2025. Curiosamente Trump mantém-se silencioso perante as denúncias dos serviços secretos americanos, e também da ONU, segundo as quais a Coreia do Norte continua a fabricar armas nucleares e a desenvolver mísseis de longo alcance...

No caso do Irão, todos os signatários do acordo de 2015, além dos EUA (que o abandonaram), mantém-se decididos a mantê-lo. Em novembro os EUA estenderão as suas sanções ao “crude”; para já, as sanções americanas envolvem transações financeiras, metais preciosos e sectores automóvel e aeronáutico. A China já anunciou que continuará a comprar petróleo ao Irão.

Trump afirma que, com as sanções, quer levar Teerão a renegociar o acordo de 2015, algo que os outros signatários consideram impossível. E os efeitos negativos que as sanções produzirão na vida dos iranianos enfraquecem a posição dos moderados – como a do presidente Rohani, negociador daquele acordo.

Parece, e é, uma política absurda, mas as sanções já foram aplaudidas por Netanyahu e também (disfarçadamente...) pela Arábia Saudita, rival sunita do Irão xiita.

Este é também um capítulo da guerra comercial desencadeada por Trump. É que as sanções americanas poderão afetar seriamente empresas de outras nacionalidades que façam negócios com o Irão. Os ministros dos Negócios Estrangeiros de França, Alemanha e Reino Unido, num comunicado conjunto com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, declararam-se "determinados a proteger os operadores económicos europeus envolvidos em negócios legítimos com o Irão".

Assim, já entrou em vigor a chamada “legislação de bloqueio”, que autoriza os operadores da UE a obter indemnizações pelos danos decorrentes da aplicação das sanções extraterritoriais norte-americanas junto das entidades que os causaram e anula o efeito de quaisquer decisões judiciais estrangeiras baseadas nessas sanções. Esta legislação proíbe igualmente as pessoas singulares ou coletivas da UE de cumprirem essas sanções, salvo se excecionalmente autorizadas pela Comissão, no caso de o incumprimento prejudicar gravemente os seus interesses ou os interesses da UE.

Veremos até que ponto esta “legislação de bloqueio” terá efeitos práticos. Seja como for, as sanções de Trump travam qualquer evolução liberalizante no Irão e adensam o clima negativo da guerra comercial.

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  • Fernando Machado
    08 ago, 2018 Porto 10:16
    O senhor não se lembra, ou não quer lembrar-se do "aiatola" komeni, que correram com o xá da Pérsia Reza Palevi ? Não seja caguinchas.