Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

​A UE e o combate aos fogos

01 ago, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A Comissão Europeia propôs a criação de um órgão próprio para enfrentar calamidades. Uma despesa necessária face às alterações climáticas.

As alterações climáticas não são uma fantasia, infelizmente. Por isso há incêndios florestais no Norte da Suécia. Na Sibéria os termómetros chegaram aos 40º centígrados. Na Califórnia o fogo já matou seis pessoas. E perto de Atenas matou muitíssimas mais. Por cá, depois de meses com pouco ou nenhum calor, parece que ele vem aí, com força.

Nos nossos trágicos fogos do ano passado pedimos - e recebemos – ajuda a outros países europeus para os combater. Este ano, participámos na ajuda internacional à Grécia e à Suécia, um país onde nem sequer havia aviões para travar o avanço das chamas, porque por ali os incêndios florestais eram, até agora, um fenómeno desconhecido.

Ao contrário do que sucedeu com o acolhimento de refugiados e imigrantes, a solidariedade europeia fez-se sentir com os incêndios. É um facto positivo, mas tem limites. Tudo é feito numa base voluntária e dependendo da disponibilidade de cada Estado membro para enviar ajuda, em pessoal e/ou meios de combate ao fogo. Por exemplo, os dois aviões anfíbios que Portugal enviou para a Suécia tiveram que regressar esta semana, dadas as previsões meteorológicas que apontam para temperaturas muito altas no território continental português, logo, um alto risco de incêndios.

Consciente desses limites, a Comissão Europeia decidiu propor a atualização do mecanismo de proteção civil, criado em 2001 para favorecer a cooperação entre as autoridades nacionais dos Estados membros nessa área. Um mecanismo no qual participam, também, países não membros da UE: Noruega, Islândia, Montenegro, Sérvia, Macedónia e Turquia. Os mortíferos incêndios florestais em Portugal no ano passado contribuíram para a Comissão propor uma melhoria na resposta coletiva europeia a catástrofes – incêndios, inundações, terramotos, epidemias, etc. – ultrapassando a mera cooperação.

Se for aprovado pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu, como se espera, a UE passará a dispor de meios próprios, geridos centralmente. Meios como aviões e helicópteros de combate a incêndios florestais, bombas para retirar água de zonas inundadas, etc. Meios europeus, em complemento dos meios nacionais. Os custos dos meios humanos e materiais deste novo mecanismo serão inteiramente suportados pelo orçamento comunitário. O qual passará, também, a financiar, em escala maior do que a atual, as capacidades nacionais de proteção civil dos Estados membros.

Prevê-se, assim, que o orçamento da UE para a proteção civil passe de 577 milhões de euros no período 2014-2020 para 1,4 mil milhões entre 2020 e 2027. Uma despesa pesada, mas necessária face às perturbações climáticas que, cada vez mais, estamos a sofrer.


Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • tilia
    02 ago, 2018 lisboa 10:41
    Ora aqui está a altura de dessalinizar a aqua do mar de forma barata e usá-la nos combate a incêndios ,regas,etc.Se a chuva não acontece e a seca perdura não se percebe esta inercia.Grandes reservas desta agua deveriam estar diponoveis em todos os territórios já que a agua das chuvas é escassa.AEU está á espera de quÊ?O tempo não volta para trás.