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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral

O aliado de Putin

18 jul, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Nunca antes se havia visto um presidente americano a cometer aquilo que alguns classificaram de traição à pátria.

A digressão de Trump pela Europa saldou-se por uma série de ofertas a Putin, que parecia quase embaraçado em Helsínquia com tanta ajuda.

Na cimeira da NATO, Trump humilhou os seus parceiros na Aliança Atlântica e procurou dividi-los, atacando a Alemanha. E classificou a UE como “inimiga”. No Reino Unido intrometeu-se vergonhosamente nos assuntos políticos internos do país que o recebia e foi até mal educado para com a rainha Isabel. De notar que nenhum outro membro da família real quis encontrar-se com Trump.

O pior, porém, aconteceu em Helsínquia, na reunião com Putin. O presidente russo chegou ao encontro animado pela excelente organização do campeonato do mundo de futebol. Um número nunca antes visto de estrangeiros visitou a Rússia durante o campeonato e ali encontrou um ambiente simpático, civilizado e até descontraído (um fenómeno provavelmente temporário).

Perguntado sobre se acreditava na palavra de Putin, segundo a qual a Rússia não interferiu nas eleições presidenciais americanas, Trump disse não ver razões para não acreditar. Em primeiro lugar, esta curiosa sintonia agrava, em vez de atenuar, as suspeitas de conluio da campanha eleitoral de Trump com os russos, para desacreditar H. Clinton.

Depois, mas mais grave, Trump desmentiu os seus próprios serviços secretos e o Departamento de Justiça, que formalmente acusara doze russos de interferência informática. Ora, em Helsínquia e ao lado de Putin, Trump criticou o procurador especial Robert Mueller por, diz ele, causar problemas às relações dos EUA com a Rússia. Nunca se havia visto um presidente americano a cometer, ainda por cima no estrangeiro, aquilo que, sem grande exagero, alguns classificaram de traição à pátria.

Vários congressistas republicanos criticaram Trump. Mas a generalidade do partido republicano é hoje dominada pelo presidente, receando os candidatos republicanos às eleições intercalares de Novembro próximo ser prejudicados caso se mostrem discordantes de Trump. Por isso este continuará na Casa Branca, pelo menos até ao próximo escândalo.

Comentários
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  • Incrédulo
    18 jul, 2018 Portugal 09:32
    Mas o "$$$$$$$" têm pátria? Desde de quando?