Opinião de Luís Cabral
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​CO2

08 jun, 2018 • Opinião de Luís Cabral


Infelizmente, passadas décadas de debate sobre o problema, pouco ou nada se fez nesse sentido. A pressão de algumas empresas e de alguns países são os principais responsáveis.

Em entrevista à Renascença, Jean Tirole, Prémio Nobel da Economia, fala sobre poluição, inteligência artificial e outros temas. A entrevista vem a propósito do livro de Tirole, "Economia do Bem Comum", recentemente traduzido para português.

Os políticos, os cientistas sociais, a Igreja — múltiplos intervenientes — opinam sobre o bem comum. Neste contexto, o que é talvez mais característico da Economia é lembrar que não é possível atingir o bem comum sem compreender os interesses privados.

Consideremos o caso concreto da poluição. A evidência científica e económica sugere que as emissões de CO2 são superiores ao que o bem comum exige. No entanto, apesar das múltiplas exortações dirigidas aos países, às empresas e aos consumidores, o ritmo de emissões mantém-se demasiado elevado.

A perspectiva da Economia, como digo, distingue-se pelo ênfase no problema dos incentivos. Não bastam as exortações: até que os agentes "sofram" directamente cada vez que as suas acções contribuem para o nível de CO2, até que isso aconteça o problema manter-se-á, ou inclusivamente tornar-se-á mais grave.

Chegamos assim a uma das propostas de Tirole: que as emissões de carbono seja taxadas. Aliás, a ideia não é de Tirole; trata-se de uma das poucas ideias que reúnem consenso quase universal.

Infelizmente, passadas décadas de debate sobre o problema do CO2, pouco ou nada se fez nesse sentido. Não por falta de vozes (nomeadamente vozes de economistas como Tirole) a favor do imposto sobre o CO2, preferivelmente um imposto único.

A pressão de algumas empresas e de alguns países são os principais responsáveis pela falta de progresso neste campo. Mais uma vez, os interesses privados.

Comentários
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  • MASQUEGRACINHA
    09 jun, 2018 TERRADOMEIO 15:53
    E suponho que os ditos "desportos motorizados", terrestres, aquáticos e aéreos, verdadeiras potências da poluição atmosférica e sonora, venham a ter um estatuto de Excepção Privilegiada nessa história das taxas, em virtude do seu evidente interesse público para a moralização e gáudio das massas. Tanta (aliás, útil) chateação com a poluição, mas a esses, que poluem mais num "evento" do que a Avenida da Liberdade num mês, ninguém chateia... Arrastam milhões de massas, está visto, e daquelas que também está visto que enchem os bolsos a pouquíssimos happy few. A conversa da treta habitual, portanto: muitos desgraçadinhos a pagar para não poluir, para compensar os poucochinhos felizardos que podem ir gozando a vida. E gozando as massas, claro está.
  • João Lopes
    08 jun, 2018 Viseu 15:27
    Artigo muito interessante!
  • JOAQUIM SFS
    08 jun, 2018 TOJAL 11:14
    "Chegamos assim a uma das propostas de Tirole: que as emissões de carbono seja taxadas. Aliás, a ideia não é de Tirole; trata-se de uma das poucas ideias que reúnem consenso quase universal.". O comportamento do Universo, no seu todo, já não se rege como à anos pelas leis da física universais, assim como: a medicina, as ciências da natureza e as próprias ciências sociais e politicas. É ver as medidas e opiniões contraditórias de comentadores, cientistas e políticos, entre outros. O efeito estufa sempre existiu, sempre existirá e o homem tem culpa em parte. Taxa de carbono é um imposto universal. Imposto aos ricos, para matar os pobres e assim reduzir a população universal a poucos milhões e num espaço de tempo curto. Com este imposto pagam-se: preservativos que são distribuídos pelos países mais pobres, fomentam-se campanhas de planeamento familiar, apoiam-se clínicas de aborto, campanhas de vacinação, pouco saudáveis e toda a propaganda LGBT, pois estes, não procriarão. Esta doutrina surgiu a seguir à II G.G. em um pais, iluminado por Lúcio, que este só conseguiria dominar o mundo se reduzisse a população mundial, ou pelo menos a controlasse.