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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Depois de Rajoy

01 jun, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A carreira política de Rajoy parece no fim. Importa que o seu sucessor consiga evitar o desmembramento do Estado espanhol.

O primeiro-ministro Mariano Rajoy deve ser hoje o primeiro chefe de governo em Espanha a ser derrotado por uma moção de censura. A moção foi lançada pelo líder do PSOE, Pedro Sanchez, depois de o partido de Rajoy, o PP, ter sido multado por um tribunal e de o seu antigo tesoureiro condenado a uma pena de 33 anos de prisão.

O PP acumulou um extenso rol de casos de corrupção. Rajoy não é apontado como corrupto, mas terá sido demasiado brando na prevenção e na condenação desse cancro no seu partido.

Rajoy também não foi feliz na condução do confronto com os independentistas da Catalunha. Aliás, a moção de Sanchez deve a provável vitória aos nacionalistas, desde logo ao Partido Nacionalista Basco, tradicionalmente um apoiante do governo do PP, mas também aos nacionalistas da Catalunha e de outras regiões autónomas. Ora Sanchez tem sido um intransigente defensor da unidade do Estado espanhol...

Significa isto que Pedro Sanchez não terá apoio político parlamentar para governar com estabilidade. A convocação de novas eleições é, assim, quase inevitável. E certamente o PP irá apresentar-se aos eleitores com outro líder – Rajoy está esgotado.

Os dois grandes partidos nacionais de Espanha, o PP e o PSOE, perderam muitos votos nos últimos anos. À frente da maioria das sondagens encontra-se agora o Cidadãos, um partido centrista recente, que nasceu na Catalunha contra o separatismo, mas que hoje tem larga expressão em todo o país.

Entretanto, à esquerda, o Podemos tentará superar o PSOE como primeiro partido da oposição; mas o escândalo da compra de uma luxuosa casa pelo líder do Podemos, Pablo Iglesias (que há anos criticara o então ministro espanhol das Finanças por uma compra de igual valor), é capaz de frustrar esse desígnio. É certo que uma votação interna no Podemos confirmou Iglesias como líder do partido, apesar do escândalo (típico da “esquerda caviar”...), mas um terço dos militantes votou contra ele.

Importante seria que, a prazo não muito longo, surgisse à frente do governo central um estadista com coragem e talento para evitar o desmembramento do Estado espanhol e a excessiva influência atual dos políticos separatistas. Alberto Rivera, líder do Cidadãos, é uma esperança, a confirmar.

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