Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​O “guia supremo” não quer acordo

25 mai, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Ali Khamenei, a mais alta autoridade religiosa e política do Irão, põe condições impossíveis à manutenção do acordo nuclear.

Quando, no passado dia 8, o presidente Trump anunciou a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irão, referi aqui que uma das consequências dessa decisão seria reforçar os islâmicos fundamentalistas naquele país e enfraquecer os moderados, como o Presidente da República iraniana, Hassan Rohani, que havia negociado o acordo. E também me mostrei cético quanto à prometida manutenção do acordo pelos países europeus que o subscreveram, Reino Unido, França e Alemanha.

O “guia supremo” Ali Khamenei, a mais alta autoridade religiosa e política do Irão, infelizmente confirma agora essas previsões. Ali Kahmenei nunca gostou daquele acordo; queria ter as mãos livres para fabricar armas nucleares. Na quarta-feira, o “guia supremo” não só considerou que aqueles três países europeus não merecem confiança por parte do Irão, como colocou várias condições a esses países para manter o acordo nuclear. Por exemplo, os países europeus não apenas deverão continuar a comprar petróleo ao Irão, como compensar, com compras adicionais, aquilo que os EUA deixarão de comprar. Os bancos europeus terão de continuar a financiar o comércio com o Irão. E Ali Khamenei não aceita negociar quaisquer limitações quanto ao programa iraniano de mísseis balísticos. Etc.

É óbvio que condições como estas, da parte do Irão, juntas às sanções americanas que, direta e indiretamente, prejudicarão empresas europeias que negoceiem com os iranianos, tornam inviável a manutenção, com algum significado útil, do acordo nuclear.

Trump apoia a Arábia Saudita, sunita, contra o Irão, xiita. E deixou de poder ser medianeiro no conflito israelo-palestiniano, pois tomou entusiasticamente o partido de Israel. Tudo isto agrava os perigos de guerra no Médio Oriente, quando a situação na Síria ainda não se encontra pacificada e muito menos em liberdade.

E não haverá cimeira de Trump com Kim Jong-un. Também ali as perspetivas de paz não são animadoras.

Comentários
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  • António Costa
    26 mai, 2018 Cacém 22:41
    Um bom texto. O Irão beneficiou com a saída de cena de Saddam Husseim. A confusão acabou a seguir, por instalar-se. Os americanos a aliarem-se a xiitas contra sunitas no Iraque, enquanto do Iémen se passava o oposto. No Fim os milhares de milhões de $$$ das pessoas "cheias" acabam sempre por fazer a diferença.
  • Bruno Vieira
    25 mai, 2018 Lisboa 18:59
    Por estranho que pareça, a «Renascença», considerada uma estação emissora de excelência, continua a aceitar os contributos medíocres ou maus de Francisco Sarsfield Cabral. Os pequenos contributos ficam apenas pelos quatro ou cinco parágrafos, sendo o último inconclusivo. Um estudante do secundário escreveria um texto melhor. A senilidade paga-se caro na «Renascença»... ou a peso de ouro.