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O Mundo em Três Dimensões - Subidas combustíveis - 22/05/2018
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Um litro de combustível consome 60% em impostos

22 mai, 2018 • André Rodrigues , Paulo Teixeira (sonorização)


Os preços em bomba não param de subir e estão ao nível de 2013 e 2014, quando o barril do petróleo superava os 100 dólares. Atualmente, o Brent não chega aos 80 dólares. O mercado parece funcionar ao contrário. E os impostos representam mais de metade do preço de venda ao público.

Com tanta semana consecutiva, é inevitável reparar que há mais de dois meses que o preço dos combustíveis não para de subir.

Desde segunda-feira já são nove semanas consecutivas. E o aumento foi de dois cêntimos. A explicação é sempre a mesma: "a evolução das cotações em euros aponta para uma subida dos preços para ambos os produtos", fim de citação.

Mas como é que isso é possível? O preço dos combustíveis sobe ao mesmo tempo que a cotação do petróleo desce... faz sentido?

Contextualizemos: à hora em que fizemos este episódio, a cotação do barril Brent, referência para Portugal, estava nos 78,17 dólares. Em julho de 2014 rondava os 107 dólares, e a gasolina custa agora 1,60 euros por litro, tanto como há quatro anos.

E o mesmo acontece com o gasóleo: está a custar 1,45 euros, o mesmo que em abril de 2013. E nessa altura, o preço do crude rondava os 103 dólares.

A matéria prima é a variável que mais interfere no preço dos combustíveis. Ou pelo menos, faria sentido que assim fosse.

Mas a experiência com oscilações de preços dos combustíveis já nos ensinou (ou devia ter ensinado) que a cotação do crude desce sempre mais rápido do que o preço de venda ao público. Isto, se descer.

A isto acrescem os impostos. Fomos consultar o boletim diário sobre preços de combustíveis de 18 de maio, ainda antes da mais recente atualização.

Os valores já não correspondem, mas ajudam a compreender a formação de preços.

Na gasolina começamos nos 50 cêntimos de preço do produto final sem taxas, adicione 0,019 pela incorporação de biocombustível, mais 0,006 cêntimos por descarga, armazenagem e reservas. Depois entram os impostos: 66 cêntimos de Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) + 27 cêntimos de IVA. E aí está o preço de referência: 1,45 euros. Para chegar ao PVP deve somar 13 cêntimos relacionados com distribuição para os postos de venda e as margens de comercialização.

É sempre a somar. Os impostos representam 63% do preço de venda ao público da gasolina.

No caso do gasóleo é um pouco menos (55%), mas a formação do preço segue os mesmos passos. E chega a ser curioso que o preço por litro sem impostos é mais caro do que o da gasolina, cerca de 52 cêntimos. A diferença está no IVA e no ISP que é mais penalizador para a gasolina, apesar do gasóleo ser mais poluente.

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  • Ze Fala Barato
    27 mai, 2018 Paris 16:13
    --13 cêntimos relacionados com distribuição para os postos de venda e as margens de comercialização-- Quantos centimos desses 13 revertem tambem para o estado???em iva e impostos??Ninguem faz a conta a isso? -SIM o tal gasoleo tão beneficiado pelos politicos aqui em portugal É MAIS poluidor,pois ,pois e não devemos esquecer que suas particulas são causadores de cancros pulmunares ou de vias respiratorias. Isso demostra bem que portugal(seus governantes) ja desde ha muitos seculos que não sabe tomar uma decisao certa.Na alemanha estão mais adiantados.A toyota parou de fabricar motores a gasoleo.Quanto ao preço dos i.s.c.....é roubar ate o dia de uma revolução a serio.
  • Anónimo
    23 mai, 2018 20:36
    Poluir o ambiente tem o seu preço.