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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Brexit : negociações encravadas

21 mai, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Manter aberta a fronteira entre a República da Irlanda e o Ulster depois da saída britânica da UE é um problema quase insolúvel.

Daqui a menos de um ano, no fim de março de 2019, o Reino Unido sairá da União Europeia. Resta saber se haverá, até então, um acordo sobre as futuras relações entre as duas partes. Se não houver, teremos um “hard Brexit”, ou seja, uma radical separação entre o Reino Unido e a Europa comunitária.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, esforça-se por evitar esse “hard Brexit”, que prejudicaria toda a gente, mas agrada aos conservadores anti-UE mais extremistas.

As negociações entre o Reino Unido e a UE têm marcado passo. Houve alguns avanços, mas falta resolver o problema mais difícil: como manter aberta a fronteira entre a República da Irlanda e o Ulster (Irlanda do Norte) depois da saída britânica?

Em dezembro, a questão foi adiada com uma declaração solene de que aquela fronteira se manteria aberta. Como, depois se veria.

A questão não é apenas económica e comercial: a manutenção daquela fronteira aberta faz parte do acordo de paz no Ulster, assinado há vinte anos e que pôs fim à violência sangrenta entre comunidades protestantes e católicas naquele território. E o governo de Dublin não assinará qualquer acordo de saída do Reino Unido da UE sem que esse compromisso fique escrito, preto no branco.

Ora, desde dezembro até hoje não se encontrou uma solução. T. May pretende, agora, mais um adiamento, ou melhor, uma solução temporária: Reino Unido (ou só o Ulster?) ficaria algum tempo na união aduaneira da UE, até se encontrar uma solução definitiva.

Esta proposta, ainda não formalizada, é altamente controversa dentro do próprio governo de Londres. E, do lado da UE, a Repúb..., o referendo de vit mo o para o p Junho consgiais da saúuúlica da Irlanda já alertou para que que não basta ficar uns meses dentro da união aduaneira, também há que seguir as regras do mercado único – em matéria de segurança alimentar, por exemplo.

Daí que, na entrevista coletiva que a Euranet (rede europeia de rádios de que a Renascença faz parte) realiza amanhã, a nossa pergunta a Michel Barnier, o negociador-chefe da UE, seja sobre a fronteira irlandesa.

Parece, assim, improvável que, ao contrário do que se previa, o Conselho Europeu de 28 e 29 de junho consiga avançar num acordo com o Reino Unido para o pós-Brexit. Um sarilho, que mostra como os defensores britânicos do abandono da UE estavam completamente impreparados, talvez por não acreditarem na sua vitória no referendo de junho de 2016.

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