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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Problemas de um isolacionista

13 abr, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Trump prometeu responder ao alegado ataque químico de Assad. Entretanto, ataca o ditador sírio com “tweets”.

O Presidente Trump é geralmente impulsivo e imprevisível, mas segue algumas normas. Uma delas é fazer diferente de Obama em tudo o que puder.

Há cinco anos Obama avisou Assad, o ditador sírio, de que não admitiria ataques químicos, aliás proibidos pelas leis da guerra. Mas Assad usou mesmo gases letais – e Obama não reagiu. Trump certamente não repetirá o erro de Obama.

Mas o presidente americano não tem qualquer estratégia para o Médio Oriente. Nem parecem existir na Casa Branca planos militares amadurecidos para uma situação altamente previsível como a presente.

Dias antes do ataque químico em Douma Trump anunciou a próxima retirada dos 2 mil soldados americanos que ainda permanecem na Síria. Na segunda-feira passada prometeu um ataque punitivo a Assad dentro de 48 horas. Mas o que se viu até ao momento em que escrevo foram “tweets” ameaçadores.

A Rússia, protetora de Assad, informou que iria bloquear os esperados mísseis americanos com o seu sofisticado sistema anti-míssil. Pode ser um “test” para as forças armadas russas, a fazer lembrar como a guerra civil de Espanha serviu para testar material bélico depois utilizado na II Guerra Mundial. Respondendo aos generais russos, Trump anunciou que enviaria mísseis “bonitos, novos e inteligentes”.

Entretanto, o isolacionista Trump terá começado a perceber que terem-se os EUA praticamente alheado dos conflitos no Médio Oriente deixou um vazio que Putin gostosamente preenche. E que conviria aos americanos terem o apoio de outros países num ataque à Síria de Assad – França, Reino Unido, Arábia Saudita... Ou seja, o isolacionismo tradicional americano já não tem sentido no mundo globalizado de hoje. O drama é que um presidente dos EUA como Trump pode desencadear um conflito nuclear, sem disso se dar conta.

Comentários
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  • Mário Correia
    14 abr, 2018 Setúbal 16:07
    Será que Francisco Sarsfield Cabral viu os sírios em Damasco a apoiar o seu próprio presidente? Como pode Francisco Sarsfield Cabral continuar a usar da censura nos comentários. É uma vergonha Francisco Sarsfield Cabral recorrer constantemente à censura dos comentários que vão contra a sua opinião.
  • Ângela Veloso
    14 abr, 2018 Lisboa 08:26
    Discordo do ponto de vista de FSC, em relação ao uso de armas químicas e à expressão que usou para classificar o presidente Assad. Igualmente, sinto-me triste pela Renascença deixar que FSC continue a censurar comentários com opiniões diferentes. É muito mau para a democracia ter alguém a usar da censura, quando aquilo que precisamos é de debate.
  • João Lopes
    13 abr, 2018 Lisboa 19:42
    As minhas comiserações à Renascença por censurar os comentários que vão contra a linha obscurantista de pensamento de Francisco Sarsfield Cabral. Eu quero lembrar à Renascença que a censura existiu no nosso país, entre Maio de 1926 e Abril de 1974. Eu sei que Francisco Sarsfield Cabral não convive bem com as opiniões diferentes das suas, mas há que respeitar uma opinião contrária em democracia. Já basta de vergonha.
  • JMC
    13 abr, 2018 USA 15:08
    Uma análise tão clara e precisa. Não posso admitir que este meu país tenha abandonado o resto do mundo occidental. É uma verdadeira vergonha. Mas o que se pode esperar de um neófito no mundo da política global? Quem conhece o Trump desde os anos 80 não fica surpreendido que o governo dele só se preocupa em si mesmo, com os seus familiares, e com os ricos e famosos do mundo.