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O Mundo em Três Dimensões - Desperdicio na moda - 10/04/2017
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Vestuário e calçado emitem 8% da poluição global num ano

10 abr, 2018 • André Rodrigues , Paulo Teixeira (sonorização)


O glamour da moda ofusca o quadro de exploração e de violações dos direitos laborais a que estão sujeitos milhares de pessoas de países subdesenvolvidos que trabalham quase a custo zero para produzir 80 mil milhões de peças de roupa que se traduzem em lucros milionários para as marcas.

Não há nada mais natural do que ter umas calças e uma camisa para vestir, um casaco para proteger do frio e sapatos para calçar os pés.

E não tem mal nenhum querer andar na moda. Se bem que moda é um conceito subjetivo.

Porque se cada um de nós é único, a moda é a forma que temos para nos comunicarmos ao mundo.

Contudo, existe um lado menos bom nesta indústria, e de que pouco se fala. Os holofotes das passerelles do mundo, dito, civilizado ofuscam a realidade de exploração laboral de milhares e milhares de pessoas nos países em vias de desenvolvimento, onde a mão de obra é barata e onde nem sequer existem direitos laborais.

E isto revela a ganância de um modelo de negócio em que, supostamente, todos saem (ou deveriam sair) a ganhar.

De um lado, os consumidores ocidentais têm moda a preços baixos. Do outro, os trabalhadores dos países pobres têm trabalho.

Mas, na realidade, este é um modelo nada virtuoso.

O site Shifter.pt lembra o colapso, em 2013, de um edifício no Bangladesh onde funcionava uma fábrica de várias marcas conhecidas de vestuário.

Foi preciso que morressem 1.100 pessoas para este lado do mundo acordar para a realidade.

Todos os anos, estas fábricas sem as mínimas condições produzem mais de 80 mil milhões de peças de roupa barata que depois compramos nas lojas dos nossos centros comerciais.

E esta é uma das faces do problema.

A outra é o desperdício.

A indústria da moda é uma das mais poluentes à escala global. E por mais que as grandes marcas promovam as chamadas coleções conscientes, a verdade é que o negócio criou novas necessidades junto dos consumidores.

Tudo é rápido e descartável.

O documentário 'The True Cost', que mostra o quanto custa verdadeiramente a produção do que vestimos e calçamos, revela que as marcas deixaram de pensar as coleções em função das estações do ano. Ou seja, em vez de roupa muito quente para outono-inverno e roupa fresca de primavera-verão, passamos a ter mais de 50 pequenas coleções por ano. Quase uma por semana.

Para quê? Para criar no consumidor a necessidade de comprar e comprar e comprar.

Consequência disso? Cada peça de roupa que hoje compramos é usada menos de metade das vezes do que era antigamente.

E tudo aquilo que se usa e deita fora assim rapidamente acaba por ter consequências.

Se pensarmos que a Ásia é o gigante global da produção de roupa, logo concluímos que quem paga é o ambiente, porque a industria é demasiado dependente do carvão.

Mas a água também paga esta fatura: sabia que a produção de uma camisola de algodão custa mais de 2.000 litros de água?

Além disso, cerca de 8% dos gases com efeito de estufa emitidos anualmente têm origem na produção de vestuário e de calçado.

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