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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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A maior carga fiscal

04 abr, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Quando se compara o peso dos impostos no PIB não basta ver percentagens, mas importa também reparar nos valores absolutos.

Num país, como Portugal, onde alegadamente havia sido virada a página da austeridade, provocou perplexidade a recente notícia de que em 2017 a carga fiscal tinha sido a mais alta desde que o INE fornece esses dados (1995).

O Barómetro da Fiscalidade que a Ordem dos Economistas começou agora a publicar trimestralmente revela que 45% dos economistas que responderam ao inquérito consideram a carga fiscal no nosso país como “muito alta” e 47% como “alta”.

Quando comparada com a carga fiscal nos outros países da UE, 56% respondem que é “mais alta” e 21% “muito mais alta”.

Não é bem assim, dir-se-á, pois a carga fiscal (impostos e contribuições para segurança social) em Portugal atingiu 37% do PIB, abaixo da média da UE (38%). Só que os rendimentos médios sobre os quais incidem os impostos e as contribuições para a segurança social são bem mais baixos em Portugal do que na maioria dos seus parceiros europeus. Daí resulta que muitas taxas de imposto que recaem nesses países europeus sobre os rendimentos dos ricos em Portugal incidem, em grande parte, sobre rendimentos típicos da classe média europeia.

Mas não anda tanta gente em Portugal satisfeita com o tal “fim da austeridade”, que o governo de António Costa proclama desde o início do seu mandato? É certo, mas a ilusão tem muito a ver com o facto de o governo ter subido sobretudo impostos indiretos – por exemplo, sobre os combustíveis – e não os diretos, como o IRS.

Os impostos indiretos passam relativamente desapercebidos, enquanto os diretos são bem visíveis nos papéis que a Autoridade Tributária nos envia.

Também se diz, com razão, que os impostos diretos fazem pagar proporcionalmente mais os ricos do que a classe média, pois as taxas são mais elevadas sobre os rendimentos altos.

Pelo contrário, nos indiretos o rico e o pobre pagam o mesmo, o que é socialmente regressivo e injusto. Que esta política seja prosseguida por um governo de esquerda, apoiado pela extrema-esquerda, é uma originalidade portuguesa.

Comentários
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  • Justus
    05 abr, 2018 Espinho 11:21
    Sarsfield Cabral gosta de manipular, mentir, engendrar factos e dados falsos e incorretos para levar a água ao seu moinho, ou seja, para tentar descredibilizar o governo. A inveja e o azedume são sempre maus conselheiros. Depois de ter errado consecutivamente sobre prognósticos, previsões e situação da economia portuguesa e verificar que os dados oficiais sempre desmentiram as suas conjeturas, começou agora por apresentar, para enganar os mais incautos, os estados de alma dos portugueses sobre a fiscalidade, em vez dos dados oficiais e estatísticos. E lá vai dizendo que a fiscalidade é grande porque os portugueses e os inquéritos que lhes são feitos o dizem! É o "diz-se" daqueles que nunca conseguem enfrentar a verdade! Pobres escribas! Inventam-se dados, manipulam-se e engendram-se inquéritos! Tudo ao sabor das conveniências! Sobre estes escribas já Cristo dizia: "Ai de vós escribas e fariseus hipócritas".
  • Mariano Gusmão
    04 abr, 2018 Lisboa 20:32
    Por estranho que pareça, quando os seus amigos da extrema-direita aumentaram a carga fiscal dos portugueses para o máximo (em 2011), o professor Francisco Sarsfield Cabral ficou calado. Nem uma palavra acerca das mentiras ditas por Passos Coelho sobre a campanha política que fez ao ter dito que não aumentaria impostos. É claro, que não morre de amores pelo actual governo e isso nota-se bem nos maus textos que escreve diariamente.
  • tretas
    04 abr, 2018 Santarém 10:37
    A quem passa despercebido o pagamento dos impostos indirectos certamente não costumará ir às compras para casa e ver o que lhe resta ao fim do mês, será ignorância ou simples tendência política não sei, só sei que de ano para ano o custo de vida é cada vez mais caro e o resto é palavreado de políticos a vender o sei peixe!.