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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Mais uma machadada no Algarve

23 mar, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Contra inúmeros protestos, parece que vai avançar a pesquisa de petróleo no mar algarvio. É absurdo.

O turismo estrangeiro tem dado uma boa ajuda ao equilíbrio das contas externas portuguesas. A balança comercial, envolvendo mercadorias, continua deficitária, não obstante o comportamento positivo das exportações de bens - é que as importações têm vindo a crescer ainda mais.

O Algarve é a região turística mais conhecida de Portugal, apesar de todas as maldades que lhe fizeram, a começar pelo urbanismo excessivo e caótico de muitas zonas perto do mar, sobretudo no Barlavento algarvio (a oeste). Um problema que já era apontado há décadas, quando começou o “boom” da construção, mas não houve governo que conseguisse travar o que poderia ter sido a morte da galinha dos ovos de ouro. Não foi, felizmente, mas reduziu a qualidade do turismo estrangeiro em vários pontos do Algarve.

A nova maldade que se perspetiva para o Algarve como região de atração turística é a anunciada pesquisa de petróleo no mar, ao largo de Aljezur. Uma zona ainda relativamente preservada, a sul da costa vicentina. As probabilidades de encontrar mesmo petróleo em volume comerciável não são grandes, mas o consórcio Eni/Galp vai avançar. E avança com subsídios do Estado português, ou seja, com dinheiro do nosso bolso de contribuintes. Como notava uma jornalista que conhece bem a área energética, Lurdes Ferreira, em editorial no “Público” de domingo passado, a maior parte desta subsidiação por via fiscal reverte a favor do Estado italiano, o maior acionista da ENI.

Se já era estranho subsidiar combustíveis fósseis numa altura em que a prioridade, assumida pelo governo português, é acelerar a transição para as energias renováveis, o caso raia o absurdo quando quem mais beneficia é um Estado estrangeiro. Entretanto, diminuem os subsídios às energias renováveis.

Um empreendimento destes teve e tem forte oposição de pessoas no Algarve e fora dele, de autarcas, de empresários do turismo, etc. O governo não ouviu os protestos, que aliás irão prosseguir. O que dirá o ministro do Ambiente a mais esta machadada no prestígio do Algarve?

Comentários
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  • Bruno Ferreira
    23 mar, 2018 Lisboa 19:53
    Sobre o papel dos ex-ministros do Ambiente do anterior governo (também com responsabilidades nesta matéria), nada vem escrito. É caso para dizer: Mais uma machadada na memória de Francisco Sarsfield Cabral.
  • JC
    23 mar, 2018 TNovas 14:33
    Aljezur, Algarve? Há quem diga que é Alentejo. Ou será no mar que não tem províncias? Portugal nunca será rico: é o petróleo, o eucalipto, o turismo, o alojamento local, a central nuclear, o diabo. Pobrezinhos e limpinhos, assim é que estamos bem...pobrezinhos...
  • Gomes Ventura
    23 mar, 2018 Lisboa 14:19
    É caso para perguntar, o que diria o ministro do Ambiente do anterior governo (da cor política de FSC)? Como os textos deste são apenas movidos contra o actual governo, nada sabemos sobre as opiniões de FSC sobre Assunção Cristas e de Jorge Moreira da Silva. Estes dois últimos nomes foram ministros do Ambiente do país e sempre mereceram a aprovação de FSC.
  • João Vieira
    23 mar, 2018 Lisboa 09:23
    O petróleo é um recurso natural (está lá há milhares de anos sem queixas de ninguém) não incomoda ninguém e, se explorado como deve ser traz riqueza enorme para o pais. Talvez seja altura de deixarmos de ser os desgraçadinhos da Europa, os mais pobres.