O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

Portugal e Angola

20 mar, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A desdramatização que tem sido feita pelas autoridades portuguesas quanto à crise nas relações com Luanda começa a tornar-se ridícula.

Na semana passada, Angola adiou uma cimeira empresarial luso-angolana, prevista para o próximo dia 27. Nesse dia, Luanda vai receber o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy. Não por acaso, certamente.

Ninguém duvida de que este novo gesto pouco amistoso de Angola com Portugal tem a ver com a pretensão angolana de que a justiça portuguesa envie para a justiça angolana o processo que envolve o antigo vice-Presidente de Angola Manuel Vicente, num alegado caso de corrupção.

A estratégia das autoridades portuguesas face a este o problema com Angola, país pouco habituado a separar o poder judicial do poder político, tem sido desdramatizar. As relações de Portugal com Angola são excelentes, disse recentemente o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

E o Presidente da República, especialista em desdramatizações, afirmou que o adiamento “sine die” da referida cimeira empresarial se fica a dever a um mero problema de agenda. Note-se que não foi marcada nova data para a cimeira.

Aliás, logo no discurso de tomada de posse do novo Presidente de Angola foi notória a ausência de uma referência a Portugal entre os países com os quais Luanda se empenharia em cooperar. Os políticos portugueses fizeram de conta que não se passara nada.

Compreende-se que as autoridades portuguesas não queiram agravar a presente má relação política com Angola. Mas o excesso de desdramatização começa a tornar-se ridículo. E contraproducente, na medida em que sugere uma atitude de fraqueza e receio da parte portuguesa.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Bruno Fernandes
    20 mar, 2018 Lisboa 19:50
    O que desanima no artigo escrito por FSC não é o «choradinho» contra o governo; ou a capacidade de incitar comentários racistas, como o de Vasco. Aquilo que mais desanima neste texto é o estilo usado, ou seja, sempre o mesmo. Será que a Renascença já pensou em mudar de comentador na área política ou teremos de ler sempre os mesmos textos e escritos da mesma forma por alguém já necessitado de repouso?
  • Vasco
    20 mar, 2018 Santarém 15:13
    Lidar com africanos por vezes tem que se ser hábil e talvez um pouco vigarista para se ser amigo para mais com estes com alguma cultura comunista, os portugueses são por vezes simpáticos e familiares demais para lidarem com certa gente, o tempo se encarregará de fazer história!.
  • Hernâni Silva
    20 mar, 2018 Lisboa 13:12
    O mais ridículo é Francisco Sarsfield Cabral vir aqui todos os dias, pela mão da «Renascença» evocar mais uma razão contra o actual governo, quando nunca disse mal do anterior (de Passos Coelho e Paulo Portas). O que dizer acerca do anterior mandato, mas relações entre Portugal e Angola? O que dizer da prestação de Paulo Portas no anterior governo? Bem pode o Sr. Francisco Sarsfield Cabral arranjar um nome fictício para combater os comentários que o não apoiam nas opiniões, como também pode censurar comentários. A verdade, é que o mais ridículo em tudo isto, é o próprio Francisco Sarsfield Cabral.
  • José Cruz Pinto
    20 mar, 2018 ILHAVO 11:31
    Não é só fraqueza e receio - é a mais clara e humilhante subserviência- isso mesmo ! E se eles quiserem fazer que se zangam, pois que se zanguem ... e, se se vingarem nos portugueses que lá estão trabalhando honestamente (esses, e só esses - os oportunistas e cúmplices, não !), que os recebamos com a solidariedade e o sacrifício que forem necessários.
  • Maria Catarina Lopes
    20 mar, 2018 Porto 10:28
    O Marcelo já está a falar demais, então por falta de agenda? mas ele pensa que o povo é estúpido?